Brasil errou ao tirar embaixador do Equador, diz Correa

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse neste sábado que o Brasil se apressou e cometeu um erro ao tirar do país o embaixador brasileiro Antonino Marques Porto, em meio à crise envolvendo um empréstimo do BNDES para uma obra no país. O Equador obteve o empréstimo para construir a usina hidrelétrica San Francisco.

BBC Brasil |

No entanto, o governo de Quito alega que a dívida com o BNDES de US$ 243 milhões é ilegal, pois há irregularidades na obra, feita pela empreiteira Odebrecht.

Em novembro, o Equador anunciou que vai entrar com uma ação internacional na Câmara de Comércio Internacional (CCI), em Paris, para resolver a questão. O Itamaraty reagiu convocando o embaixador em Quito para consultas sobre a questão.

Correa disse que não há nada de errado em pedir a arbitragem internacional e as relações diplomáticas com o Brasil continuam normais.

"Nós não temos nenhum problema nas relações com o Brasil, trata-se de um problema comercial-financeiro, não um problema diplomático", disse o presidente em seu programa semanal de rádio.

"Os braços e as portas estarão abertos para quando queiram devolver o embaixador", continuou. "Será sempre bem-vindo nosso querido amigo Antonino Marques."

Dívida

Correa se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana, durante a cúpula da América Latina e Caribe, na Bahia, mas após a reunião não houve mudanças na situação e o embaixador permanece no Brasil.

Segundo o mandatário equatoriano, o encontro com Lula "foi de muita cordialidade e irmandade, e nele se defendeu a posição do Equador".

O presidente também confirmou que seu país não pensa em deixar de pagar sua dívida com o BNDES, pelo menos enquanto a arbitragem internacional não chegue a uma conclusão.

"Nunca dissemos isso", afirmou.

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