Brasil e UE atuarão juntos para enfrentar crise e mudança climática

Carlos A. Moreno.

EFE |

Rio de Janeiro, 22 dez (EFE).- Brasil e União Européia (UE) se comprometeram hoje a atuar juntos no combate à crise financeira internacional e aos efeitos da mudança climática no planeta, assim como para retomar as negociações da Rodada de Doha, que visa à liberalização do comércio mundial.

Os compromissos foram anunciados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os líderes francês Nicolas Sarkozy - cujo país exerce a Presidência semestral européia - e da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso.

Os dirigentes estiveram reunidos nesta segunda no Rio de Janeiro por ocasião do encerramento da 2ª Cúpula Brasil-UE.

Sarkozy disse que espera que o Brasil e a UE levem propostas conjuntas à próxima Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), que será realizada em 2 de abril próximo em Londres, inclusive sobre reformas no sistema financeiro internacional.

"Europa e Brasil têm de ter a mesma visão na cúpula (do G20).

Estamos decididos a fazer com que as coisas mudem profundamente", afirmou o presidente francês, ao referir-se ao encontro entre chefes de Estado do G20 para definir medidas contra a crise financeira.

Tais propostas, acrescentou Sarkozy, incluem a definição de um novo papel para o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o "lançamento das bases de um sistema financeiro mais equilibrado, com mais controle e mais fiscalização das instituições financeiras".

A reunião do G20 em Washington realizada em novembro último "demonstrou que há espaço para uma resposta comum dos países desenvolvidos e em desenvolvimento frente aos complexos desafios da atualidade", disse, por sua vez, Lula.

"O diálogo regular sobre assuntos macroeconômicos e financeiros que lançamos (entre Brasil e UE) representará um canal adicional importante para a discussão desses assuntos", acrescentou.

"Para evitar que a crise (financeira) se repita, (os presidentes) reiteram a necessidade de se (...) auxiliar na reforma da arquitetura financeira global e promover princípios comuns para a reforma dos regimes reguladores e institucionais dos mercados", assegura declaração conjunta divulgada após o encontro de hoje.

Sarkozy comentou ainda que a Europa trabalhará com o Brasil "em futuras iniciativas relativas à Organização Mundial do Comércio (OMC)".

"Acreditamos na liberdade do comércio e não queremos o protecionismo", comentou a respeito.

"Temos de trabalhar juntos na OMC. Nós, como chefes de Estado, temos de assumir a responsabilidade" para levar adiante a Rodada de Doha, acrescentou o presidente francês.

"Coincidimos sobre a importância de se concluir a Rodada de Doha e de se fortalecer o sistema mundial de comércio", disse Lula sobre o tema.

Ambas as partes, completa a declaração conjunta da reunião de hoje, dizem estar dispostas a "encontrar soluções que promovam a conclusão bem-sucedida e equilibrada da rodada".

Tanto o presidente da França como o da CE destacaram a enorme convergência que existe entre Brasil e UE em temas da agenda internacional.

"Diante de uma agenda na qual temos grandes coincidências, decidimos trabalhar juntos para combater a crise financeira e os efeitos da mudança climática", avaliou Durão Barroso.

Os presidentes se comprometeram também a trabalhar em conjunto para ajudar a conquistar um resultado ambicioso na luta contra a mudança climática no próximo ano. EFE cm/fr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG