Brasil e Turquia pedem que ONU evite sanções ao Irã

Em carta, países dizem estar "convencidos" de que é preciso dar "uma chance às negociações"

iG São Paulo |

Brasil e Turquia pediram nesta quarta-feira ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que evite adotar sanções contra o Irã por causa de seu programa nuclear. O pedido foi feito em uma carta assinada pelos chanceleres dos dois países, informou o ministério das Relações Exteriores brasileiro.

"Brasil e Turquia estão convencidos de que é o momento de dar uma chance às negociações e evitar medidas que sejam prejudiciais a uma solução pacífica para esta questão", diz o texto assinado pelo ministro Celso Amorim e por seu colega turco Ahmet Davutoglu.

A solicitação ocorre um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU ter recebido um projeto de novas sanções contra o Irã impulsionado pelos Estados Unidos e apoiado por China e Rússia, segundo Washington. Na segunda-feira, Brasil e Turquia anunciaram um acordo segundo o qual o Irã se comprometeu a enviar parte de seu urânio para ser enriquecido fora de seu território.

'Estaca zero'

Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as negociações com o Irã podem " voltar à estaca zero " caso os membros do Conselho de Segurança não aceitem discutir com Teerã o programa nuclear do país.

"O Irã aceitou se sentar à mesa de negociação. Agora depende do Conselho de Segurança da ONU, porque, se não se sentar para negociar, vai voltar à estaca zero", disse o presidente durante o discurso de encerramento de um seminário sobre economia em Madri, nesta quarta-feira.

Em suas primeiras declarações sobre a questão iraniana desde que os membros permanentes do Conselho de Segurança anunciaram estarem trabalhando em uma quarta rodada de sanções contra o país, Lula afirmou que a falta de diálogo com Teerã pode levar a "problemas sérios".

O presidente disse também que o cenário da política internacional necessita de novos protagonistas. "É preciso mais atores, mais negociadores. Se a ONU continuar assim, vai ter problemas sérios".

Segundo Lula, para o acordo, o Brasil agiu "como queriam os Estados Unidos", que agora defendem as sanções contra Teerã junto com os outros membros permanentes do Conselho de Segurança, entre eles, China e Rússia.

"Nós fizemos exatamente o que os Estados Unidos queriam. Qual era o grande problema do Irã? É que ninguém conseguia fazer com que o Irã se sentasse à mesa de negociação", disse.

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