Istambul, 21 mai (EFE).- Turquia e Brasil, duas potências regionais emergentes, querem intensificar as relações bilaterais para se transformar em parceiros importantes, disse hoje em Istambul o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Após esta visita, acho que devemos estabelecer uma comissão para aumentar as relações bilaterais e as visitas. Começa um novo período nas relações turco-brasileiras", afirmou Lula em entrevista à cadeia turca "NTV", no marco da viagem de dois dias ao país.

Lula é o primeiro presidente brasileiro a visitar a Turquia e foi calorosamente recebido pela imprensa local, que o considera "o esquerdista que faz milagres" ou "o dirigente que salvou o Brasil da crise".

Após chegar a Istambul, na quarta-feira à noite, após uma viagem à China, Lula se reuniu com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, no qual foram debatidas "questões bilaterais".

O presidente brasileiro ressaltou que o fato de não existir relações diplomáticas ao mais alto nível entre dois países "tão importantes" como a Turquia e Brasil "não é normal", portanto justificou a visita na necessidade de remediar essa circunstância.

Atualmente, o volume comercial entre as duas nações é de US$ 1,75 bilhão, um valor que "ainda está longe do potencial real de comércio" entre Turquia e Brasil, afirmou hoje a presidente da patronal turca Tusiad, Arzuhan Dogan Yalçindag, na abertura de um Fórum Empresarial Turco-Brasileiro.

Lula concordou com isso e assegurou que o comércio entre os dois países deveria alcançar os US$ 7 bilhões.

No total, 240 empresários brasileiros foram à Turquia junto a Lula para se reunir com seus colegas turcos.

A Petrobras também esteve representada no fórum, já que mantém desde 2006 um investimento de US$ 130 milhões para a procura e a perfuração de poços petrolíferos no litoral turco do Mar Negro.

Lula elogiou o trabalho no Mar Negro da Petrobras e deu como exemplo do que deve ser a cooperação turco-brasileira.

Mesmo assim, anunciou que os acordos que assinará na sexta-feira com o presidente turco, Abdullah Gül, estão dirigidos a estender a cooperação a outros âmbitos energéticos, às infraestruturas, ao setor turístico e à produção automobilística e aeronáutica.

Lula afirmou que "é preciso ser mais corajosos durante as crises.

É preciso buscar novos parceiros e novas áreas de investimento. Não se pode contar só com União Europeia, Estados Unidos ou China".

"O Brasil aprendeu a ser um país independente. Não estamos subordinados a nenhum país, nem queremos confrontos, só queremos negociar com os outros Estados de igual para igual", disse.

Durante a entrevista à "NTV", Lula foi perguntado pelo sucesso econômico do Brasil e a relação com o Fundo Monetário Internacional (FMI), duas das prioridades da Turquia, que sofre com a recessão e procura um novo acordo com a instituição financeira.

"A fórmula mágica é, talvez, decidir de que lado você está e para quem você governa. Nós chegamos ao Governo graças aos pobres.

Fizemos programas para 11 milhões de pobres. Criaremos um milhão de novas casas. E o mundo empresarial também se beneficia disso", defendeu.

O presidente explicou como o Brasil conseguiu resolver os compromissos com o Fundo, pagando rapidamente os empréstimos.

"Agora somos nós que damos dinheiro ao FMI para que possa emprestar a países pobres. O FMI pode emprestar dinheiro, mas não deve se envolver nas políticas econômicas dos países aos quais empresta", acrescentou.

Durante a visita oficial a Ancara, aonde Lula viajará amanhã, a delegação brasileira estará acompanhada pelos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Miguel Jorge. EFE amu/db

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