Brasil é segundo mercado de cocaína das Américas, segundo relatório da ONU

Nações Unidas, 26 jun (EFE).- O Brasil é o segundo maior mercado de cocaína das Américas, e registrou o maior aumento no uso de maconha na América Latina, segundo revelou o relatório anual do Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (UNODC), divulgado hoje.

EFE |

Segundo o relatório, a prevalência anual (uso pelo menos uma vez no último ano) do uso de cocaína no país passou de 0,4% da população entre 12 e 65 anos, em 2001, para 0,7% em 2005, de acordo com pesquisas domiciliares feitas pelo governo.

O país registrou também o maior aumento no consumo de maconha na América Latina, o que mostra, segundo a UNODC, "a ampliação na disponibilidade de derivados de cannabis (maconha e haxixe) do vizinho Paraguai".

A prevalência anual do uso de maconha no país aumentou duas vezes e meia: de 1% da população, entre 12 e 65 anos em 2001, para 2,6% dessa população em 2005.

O relatório anual do UNODC adverte que os avanços no combate à toxicomania registrados nos últimos anos estão em risco, pelo aumento mundial do cultivo de papoula e cocaína.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu hoje aos países para que intensifiquem a luta contra as drogas, um problema que destrói vidas, gera delinqüência e ameaça o desenvolvimento sustentável.

Cerca de 4,9% da população mundial entre 15 e 64 anos (o que equivale a 208 milhões de pessoas) consome drogas pelo menos uma vez ao ano, sendo a maconha a mais utilizada, seguida pelos derivados do ópio e da cocaína, advertiu a ONU.

O documento, que faz comparações entre o uso e o cultivo de drogas desde o início do século XX, revelou dados como o aumento dos terrenos cultiváveis destinados à papoula, que no caso do Afeganistão cresceram 17% em 2007, para 193 mil hectares.

"Nos últimos anos, foram feitos impressionantes avanços no controle das drogas", disse hoje em Nova York o diretor da UNODC, Antonio Maria Costa, que destacou que apesar "do poder individual devastador" de drogas como a heroína, a cocaína e as sintéticas, seus impactos "sobre o conjunto da saúde pública não são tão sérios quanto os do tabaco ou do álcool".

Segundo dados da ONU, o tabaco mata anualmente cinco milhões de pessoas no mundo, e o álcool outras 2,5 milhões de pessoas, enquanto as drogas ilícitas tiram a vida de 200 mil pessoas.

"Os recentes incrementos nos abastecimentos do Afeganistão e da Colômbia podem levar ao aumento da dependência, devido aos baixos preços e à alta pureza das doses", advertiu Costa.

Na Colômbia, ressaltou o documento, a produção de folha de coca e de cocaína se concentra em 10 municípios responsáveis por quase a metade da produção total de cocaína (288 toneladas) e de um terço do cultivo (35 mil hectares).

Costa explicou que, tanto na Colômbia quanto no Afeganistão, as regiões com mais cultivos de coca estão sob controle rebelde.

O responsável da UNODC indicou que 45% da cocaína produzida na América Latina tem como destino o mercado americano; 20% o europeu; 10% dos países da região, especialmente o Brasil; e 5% a África, o que considerou um dado "cada vez mais alarmante".

Ban Ki-moon assinalou, por sua parte, que a cooperação internacional e a assistência técnica estão melhorando as capacidades dos países no cumprimento da lei, o que, por sua vez, influi na redução da pobreza.

"O aumento da assistência ao desenvolvimento está ajudando a reduzir a pobreza e a venda de cultivos ilícitos, já que os agricultores dispõem de alternativas sustentáveis", destacou Ban, sustentando que mais políticas de prevenção e tratamento ajudam a diminuir as infecções pelo vírus da aids.

Também assegurou que os "Estados com sistemas de justiça frágeis e capacidades limitadas para fazer cumprir a lei necessitam de assistência para reduzir o narcotráfico, que aumenta os delitos, a corrupção e a instabilidade".

Acrescentou que isso também representa uma ameaça para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que buscam reduzir pela metade a pobreza e várias doenças até 2015.

O principal responsável da ONU lembrou os Estados que têm a responsabilidade de fazer cumprir plenamente os direitos dos toxicômanos presos ou sob custódia por delitos relacionados com os narcóticos, especialmente os relativos à vida e a ter julgamentos justos.

Em sua mensagem, Ban pediu que os toxicômanos tenham garantido o acesso aos serviços sociais e de saúde, e lembrou aos Estados que "ninguém deve de ser estigmatizado ou discriminado por sua dependência das drogas". EFE emm/gs

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