Brasil e Rússia estreitam relação estratégica e ampliam cooperação militar

Omar Lugo. Rio de Janeiro, 26 nov (EFE).- Brasil e Rússia se comprometeram hoje a aprofundar suas relações comerciais, a ampliar a cooperação militar e espacial e a unir suas vozes na comunidade internacional como potências emergentes.

EFE |

Em resumo, estes foram os principais resultados da visita oficial de dois dias que o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, fez ao Rio de Janeiro, onde, na manhã de hoje, foi formalmente recebido por seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

A visita de Medvedev ao Brasil fez parte de uma viagem que o levou ao Peru e que inclui ainda escalas na Venezuela e em Cuba, dois grandes aliados da Rússia na região, mas com um peso relativamente menor que o do Brasil nas relações bilaterais.

Nos próximos dois ou três anos de associação estratégica, "deveremos fazer muito mais do que foi feito nos últimos 180 anos", afirmou Medvedev, ao destacar "o intenso e construtivo" trabalho no Rio de Janeiro.

Rússia e Brasil fazem parte do chamado Brics, bloco integrado por novas potências emergentes e que também inclui China, Índia e África do Sul, cujos presidentes, assim como Lula, viajarão a Moscou no ano que vem para uma cúpula inédita organizada pelas autoridades russas, destacou Medvedev.

No Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro, antiga sede da Chancelaria brasileira, os presidentes assinaram hoje vários acordos para escorar essa nova relação estratégica.

Entre eles, um de cooperação técnico-militar, que proíbe expressamente a venda ou a transferência de tecnologia ou de equipamentos a países terceiros.

O acordo prevê troca de experiências nas áreas de "tecnologia e pesquisa e desenvolvimento", além de "apoio logístico, aquisição de produtos e serviços de defesa" e treinamento de pessoal.

Outro pacto, entre a Agência Espacial Brasileira e a Agência Espacial da Rússia (Roscosmos), estabelece um mecanismo de cooperação para o uso e o desenvolvimento do sistema russo de navegação global por satélite, chamado Glonass.

Em 1997, Brasil e Rússia já tinham assinado um acordo de cooperação para "a prospecção com fins pacíficos do espaço sideral".

Entidades militares dos dois Governos também ratificaram a compra de 12 helicópteros russos de ataque Mi-35M para a Força Aérea Brasileira (FAB), operação que se enquadra dentro da cooperação técnico-militar ampliada.

Segundo os presidentes, o acordo de cooperação na área de defesa "permitirá associações para o desenvolvimento de novas tecnologias", e a aquisição dos helicópteros abre a possibilidade de uma futura "expansão da cooperação técnico-militar em outros projetos de interesse recíproco".

Em uma declaração conjunta, os dois chefes de Estado destacaram que quando, passados 180 anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre ambos os países, a visita de Medvedev "confirma a determinação" dos dois presidentes de "aprofundar a associação estratégica bilateral lançada em 2002".

Lula e Medvedev também se pronunciaram a favor "de um sistema internacional mais democrático", do multilateralismo, da luta contra o terrorismo e o narcotráfico e do aprofundamento das relações entre as nações ricas e os países emergentes.

Na área econômica, destacaram que o Brasil é o principal parceiro comercial da Rússia na América Latina, com um volume de negócios que superou os US$ 7,3 bilhões entre janeiro e outubro, o qual, segundo Lula, deverá continuar crescendo nos próximos anos.

O presidente brasileiro destacou ainda que a Rússia é o maior mercado externo das carnes brasileiras, mas que as trocas comerciais entre as duas nações devem deixar de se limitar aos produtos básicos e incluir também produtos de maior valor agregado.

Os dois chefes de Estado também ressaltaram que "existe um significativo potencial para a cooperação no setor energético".

Nesse sentido, a estatal russa de gás natural Gazprom anunciou que pretende abrir um escritório de representação no Rio de Janeiro e que tentará se associar à Petrobras para disputar concessões de petróleo e gás no Brasil.

A essa respeito, a Petrobras disse que "pretende intensificar as relações com a Gazprom no Brasil e em outros países".

Ambos os Governos também acertaram eliminar a necessidade de vistos de entrada a cada um dos países para estadas de até 90 dias, como uma forma de facilitar as viagens de seus habitantes. EFE ol/sc

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