Brasília, 10 out (EFE).- Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e de Portugal, Luis Amado, concordaram hoje em afirmar que a crise financeira só poderá ser combatida com uma ação internacional coordenada e controles mais severos sobre os mercados.

Segundo Amorim, em meio às atuais turbulências, o mundo deve pensar na criação de uma "autoridade monetária internacional" que previna tempestades financeiras como a atual.

O chanceler brasileiro sustentou que o momento é ideal para modificar instituições surgidas da conferência de Bretton Woods (1994), como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e até o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Também disse que os países em desenvolvimento precisam "aprofundar" o diálogo para definir "formas de reação" e "proteção" comuns diante da crise.

Amorim antecipou que a crise financeira será um dos assuntos centrais da cúpula do IAS - mecanismo de consulta política que reúne Brasil, Índia e África do Sul - marcado para a próxima quarta-feira na capital indiana, Nova Déli.

Também indicou que pretende convocar, ainda este mês, uma reunião de conselho extraordinária do Mercosul, com os ministros das Relações Exteriores e de Economia da Argentina, do Brasil, do Uruguai e do Paraguai.

De acordo com Amorim, é urgente evitar que a crise financeira contagie a economia real.

"As finanças são o lubrificante da economia, mas não são a máquina, e neste momento não se pode permitir que o lubrificante contamine o motor", afirmou.

Já o ministro português, afirmou que "sem um esforço multilateral, é difícil encarar uma situação com a dimensão da que enfrentamos".

"Vivemos em um mundo novo, que exige idéias novas. Não podemos pretender que, nesta situação de desordem internacional, usemos parâmetros antigos", acrescentou Amado, que pretende "pensar em mecanismos financeiros" que protejam os mercados.

EFE ed/++pa++ ECO:ECONOMIA,MERCADOS-FINANÇAS,BOLSAS-VALORES ECO:é:04009000:Economia, negócios e finanças:Mercados e bolsas

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