Brasil e México vão ao G8 para discutir o clima, mas sem esperança de avanços

Os presidentes de Brasil e México se reunirão na quarta-feira com as Oito Maiores Potências do Mundo (G8) para abordar o aquecimento global, mas não se esperam grandes avanços na formulação de estratégias que reduzam as emissões de poluentes, um tema que afeta ricos e emergentes.

AFP |

O chamado G5, integrado pelos grandes emergentes Brasil, México, China, Índia e África do Sul, foi convidado para uma sessão ampliada de trabalho no último dia da reunião de cúpula do G8 em Toyako, norte do Japão.

G8, G5 e Austrália, Indonésia e Coréia do Sul formam o grupo das 16 principais economias do mundo (MEM, em inglês) que negociam um acordo global sobre mudanças climáticas e são responsáveis por 80% das emissões poluentes do planeta.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai a Toyako para defender os biocombustíveis e exigir que os países industrializados assumam mais responsabilidades diante das mudanças climáticas.

"O Brasil não aceitará esse argumento inconsistente de que os biocombustíveis provocam inflação dos alimentos. Estou indo ao Japão, à reunião do G8, só por isso", afirmou Lula no Brasil, antes de partir.

A chanceler alemã Angela Mergel disse nesta segunda-feira que o G8 "precisa de padrões" e estudará a meta de que "nenhum alimento seja substituído por biocombustíveis".

"O objetivo será trabalhar em uma segunda geração de biocombustíveis, e isso estará refletido no documento" final, acrescentou.

Merkel e Lula assinaram em maio um acordo que prevê o financiamento alemão de projetos como o Fundo de Áreas Protegidas de nível ambiental no Brasil e a administração florestal sustentável, por cerca de 40 milhões de euros.

"Os biocombustíveis são decisivos na luta contra o aquecimento global, e desempenham um papel importante no desenvolvimento econômico e social dos países pobres", afirmou André Amado, embaixador do Brasil no Japão, no boletim da reunião do G8.

"Tudo isso, como demonstra a experiência brasileira, sem pôr em perigo a área agrícola reservada à produção de alimentos ou a selva tropical", acrescentou.

O presidente mexicano Felipe Calderón, que chegará a Toyako nesta segunda-feira à noite, também participará das discussões e defenderá "a iniciativa mexicana para criar um Fundo Mundial de Mudanças Climáticas" ou "Fundo Verde", disse a chanceler mexicana, Patricia Espinosa.

"Esse Fundo permitiria aos países ricos reduzir emissões e combater o aquecimento global ao oferecer incentivos àqueles que desejam fazer esforços maiores", afirmou Espinosa no boletim da reunião do G8.

Em sua declaração final, que será divulgada na quarta-feira, os 16 países se comprometerão a traçar metas nacionais de redução dos gases do efeito estufa a médio prazo (2020), indicou no domingo o jornal japonês Asahi Shimbun.

Os líderes do G8 -Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia- devem decidir que prosseguimento dar ao Protocolo de Kioto, que expira em 2012, e ao qual Washington nunca aderiu.

O Japão quer fazer com que o G8 se comprometa a reduzir em pelo menos 50% suas emissões de gases poluentes para 2050, para dar o exemplo aos países em desenvolvimento.

Na reunião anterior do G8, realizada em junho de 2007 em Heiligendamm, Alemanha, e apesar de suas grandes ambições, a chanceler Angela Merkel só conseguiu arrancar dos Oito a promessa de "considerar seriamente" o assunto.

Mas os Estados Unidos rejeitam qualquer compromisso que não inclua Índia, China e outros grandes poluentes, enquanto países emergentes como a África do Sul querem que o G8 assuma metas a médio prazo, para 2020, em vez de 2050.

O presidente norte-americano, George W. Bush, prometeu ao chegar a Toyako desempenhar um papel "construtivo" nas discussões sobre o clima.

"Mas também sou suficientemente realista para dizer-lhes que se China e Índia não tiverem a mesma aspiração, não vamos resolver o problema", disse.

Os Estados Unidos, apoiados pelo Canadá, argumentam que o G8 não é o fórum adequado para discutir mudanças climáticas porque não inclui os gigantes emergentes.

O Brasil considera que "não se pode minimizar as responsabilidades" dos países industrializados "tentando ressaltar as emissões atuais ou futuras dos países emergentes, porque isso não contribuirá para um acordo equilibrado", assegurou o porta-voz presidencial, Marcelo Baumbach.

O país é considerado o quarto emissor mundial de gases do efeito estufa, principalmente devido às queimadas do desflorestamento amazônico.

Lula e Calderón participarão de uma entrevista coletiva à imprensa do G5 em Sapporo na terça-feira, a 150 km de Toyako.

lbc/dm

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