Brasil e México participam de cúpula do G8 em meio à crise econômica mundial

Miguel F. Rovira Toyako (Japão), 6 jul (EFE).

EFE |

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de Estado do México, Felipe Calderón, participarão da cúpula do Grupo dos Oito (G8, sete países mais industrializados e a Rússia), realizada no Japão a partir de segunda-feira, em meio à estagnação da economia mundial.

O panorama econômico mundial piorou rapidamente desde que Lula e Calderón se reuniram na cidade alemã de Heiligendamm, com os chefes de Estado e de Governo dos países do G8, integrado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.

Na época, ainda não havia surgido a crise hipotecária nos EUA e o preço do barril do petróleo estava a US$ 70, quase a metade do valor atual, e também não se via no horizonte a crise mundial de alimentos que ameaçaria a estabilidade política dos países mais pobres.

Diante da atual situação, é improvável que após as reuniões na ilha japonesa de Hokkaido, os líderes do G8 declarem, como na última cúpula, que a economia mundial está bem, mas se espera que sinalizem como abordarão a crise mundial de alimentos e a astronômica alta do preço do petróleo.

Brasil, México, China, Índia e África do Sul, que formam o chamado Grupo dos Cinco (G5, representantes do países em desenvolvimento), percebem os impactos da alta do petróleo e dos alimentos básicos, com a consequente aceleração da inflação.

O presidente Lula deve criticar mais uma vez os subsídios agrícolas, diante do temor de que sejam reforçados em resposta à crise dos alimentos.

Lula também aproveitará a ocasião para promover e defender a produção de biocombustíveis, considerados por alguns analistas como a causa do desaparecimento de áreas dedicadas ao cultivo de alimentos.

Calderón, que chegará a Hokkaido na tarde de amanhã para participar da reunião dos líderes do G5, que visará a adoção de uma postura comum durante a cúpula do G8, deve manifestar a preocupação do México com o aumento do preço dos alimentos.

Além disso, Calderón terá reuniões bilaterais com Lula e com o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, nas quais o assunto principal deve ser a mudança climática, problema para o qual haverá uma proposta do México.

Calderón proporá a criação de um Fundo Verde de caráter multilateral contra a mudança climática com a finalidade de facilitar o acesso aos recursos financeiros e tecnológicos que os países precisam fazer para mitigar e adaptar suas economias.

Segundo a proposta mexicana, as contribuições para o Fundo Verde seriam determinadas segundo o percentual global das emissões de cada país, as taxas de emissões per capita de seus habitantes e o Produto Interno Bruto (PIB), e seriam utilizadas para ajudar as nações mais ameaçadas.

Os países do G5 propõem que o G8 e outros países desenvolvidos transfiram aos menos avançados a tecnologia necessária para combater o aquecimento global.

De acordo com a organização Fundo Mundial da Natureza (WWF, em inglês), 13 países que participarão da cúpula do G8 são responsáveis por 85% dos gases que causam o efeito estufa.

Enquanto os líderes do G8 se reunirão em um luxuoso hotel às margens do lago Toya, os do G5 se encontrarão em Sapporo, 100 quilômetros ao norte. EFE mfr/wr/gs

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