Brasil e Japão lembram 100 anos da imigração nipônica em ato solene em Tóquio

Fernando A. Busca Tóquio, 24 abr (EFE).

EFE |

- Brasileiros e japoneses reafirmaram hoje sua amizade no centenário da imigração nipônica ao Brasil com um ato solene presidido pelo imperador Akihito, cuja presença ressaltou a importância recíproca atribuída por ambos os países.

Junto com o ato oficial - que além de Akihito contou com a participação de sua mulher Michiko, do príncipe herdeiro Naruhito e das principais figuras políticas do Japão - a comemoração serviu para que as autoridades brasileiras e japonesas busquem uma aproximação econômica bilateral.

Akihito, o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, o ministro de Assuntos Exteriores japonês, Masahiko Komura e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se dirigiram com solenidade nipônica aos convidados.

O último discurso foi pronunciado pelo emocionado representante da comunidade japonesa no Brasil, Kokei Uehara, que aos 80 anos disse viver "um dos momentos mais honrosos" de sua vida, pois nunca sonhou "em se dirigir um dia a suas majestades imperiais".

O imperador Akihito - que visitou o Brasil em três oportunidades, duas quando era príncipe herdeiro - se referiu ao "sofrimento físico e psicológico" dos primeiros imigrantes japoneses em solo brasileiro, que se dedicaram em sua maioria à agricultura.

O chefe de Estado lembrou ainda o esforço feito pela comunidade japonesa de São Paulo durante três anos para prestar assistência às vítimas da Segunda Guerra Mundial no Japão.

O ex-ministro de Exteriores Taro Aso se referiu em discurso às fotos que guarda da época em que seu avô, um ex-primeiro-ministro, viajou ao Brasil, imagens nas quais ele próprio aparece "divertido e alegre".

Em 1908, o navio Kasato Maru chegou ao porto de Santos vindo de Kobe, no Japão, com 781 japoneses a bordo.

Hoje, 100 anos depois, o Brasil tem a mais numerosa comunidade nikkei (japoneses nascidos fora do Japão ou que vivem regularmente no exterior) com mais de um milhão e meio de pessoas.

Paralelamente, a terceira maior comunidade de brasileiros no exterior está no Japão.

Brasil e Japão celebraram a herança dos pioneiros do Kasato Maru e de muitos outros que uniram dois países culturalmente distantes com laços muito sólidos.

Como exemplo da mestiçagem cultural, dez crianças de ascendência japonesa e brasileira cantaram em coro o clássico de Toquinho "Aquarela" para encerrar um ato iniciado com o som dos respectivos hinos nacionais.

Na recepção posterior, representantes políticos, militares e diplomáticos dos dois países conversaram animadamente e saudaram Akihito e Michiko.

Entre os presentes na recepção, vestidos com uniformes militares, quimonos coloridos e trajes de gala, destacaram ilustres membros da comunidade nikkei, como o empresário e ex-lutador Antonio Inoki, cuja chegada chamou a atenção dos presentes.

Um dos membros mais destacados da reunião foi o comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), brigadeiro Junichi Saito, que disse estar "muito emocionado" e lamentou que seus pais não tenham podido comparecer a "uma festa tão significativa".

O centenário coincide com uma aproximação econômica entre os dois países, com passos como a candidatura japonesa à construção de uma linha de trem de alta velocidade que futuramente ligará Rio de Janeiro e São Paulo.

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que um consórcio formado por Mitsubishi, Mitsui, Toshiba e Kawasaki tem interesse em disputar a concessão desta linha, orçada em US$ 9 bilhões.

Porém, o Brasil não se limita a receber investimento japonês em vários campos, como o siderúrgico e o agrícola.

Há poucas semanas a Petrobras anunciou a compra da refinaria Nansei Sekiyu em Okinawa (sul do Japão) com um investimento de US$ 50 milhões para atender o mercado japonês, além de outros da região, como o filipino e o chinês. EFE fab/ev/fal

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