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Brasil e Índia defendem reformas estruturais no sistema financeiro mundial

Agus Morales. Nova Délhi, 15 out (EFE).- O Brasil, a Índia e a África do Sul pediram hoje uma nova iniciativa internacional para a realização de reformas estruturais no sistema financeiro mundial que incluam os países em desenvolvimento na tomada de decisões.

EFE |

Em comunicado conjunto divulgado por ocasião da 3ª Cúpula do Ibas, que reuniu em Nova Délhi delegações dos três países presididas por seus governantes, as potências emergentes sugeriram que a crise financeira "não deve ser superada com medidas paliativas".

"A reforma deve ser realizada para incorporar sistemas mais fortes de consulta multinacional e vigilância", diz a nota, que acrescenta que a "ética também deve ser aplicada à economia" e defende um sistema mais "transparente".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou ontem à noite à Nova Délhi para participar da cúpula, fez um discurso perante as delegações indiana e sul-africana no qual apostou pela "construção de uma nova arquitetura internacional" em momentos de "incerteza" no contexto global.

"É inadmissível que paguemos pela irresponsabilidade de especuladores que transformam o mundo em um grande cassino, ao mesmo tempo em que nos davam lições de como governar nossos países", denunciou Lula.

Horas depois, Lula concedeu uma entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e o presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe, e insistiu que não se pode "permitir" que as economias destes três países sejam atingidas pela crise financeira.

Lula defendeu um "maior fluxo comercial" entre os países emergentes, que devem fazer crescer seus "mercados nacionais".

"Nós não participamos deste cassino internacional", acrescentou.

O presidente também criticou o fato de, em setembro de 2007, já se falar das hipotecas de alto risco e que até duas semanas atrás os Estados Unidos e os países europeus não tinham decidido nada sobre o assunto.

Lula considerou "urgente" a convocação de um encontro entre os ministros da Fazenda e presidentes do Banco Central e governadores das autoridades monetárias de Índia e África do Sul para adotarem uma postura comum ante a crise financeira.

Singh expressou seu desejo de que os países do Ibas estabeleçam neste encontro uma "estratégia coordenada".

O primeiro-ministro indiano destacou a importância de assegurar a segurança alimentar dos países do Ibas e disse que a crise financeira pode ajudar a "explorar" seus mercados.

Além disso, Singh fixou em US$ 25 bilhões a meta de troca comercial entre Índia, Brasil e África do Sul até 2015.

Motlanthe ressaltou a necessidade de os países do Ibas "desenvolverem uma resposta à crise".

O Ibas foi criado em 2003 para promover a cooperação entre Brasil, Índia e África do Sul em assuntos econômicos, sociais e políticos.

O último encontro aconteceu na África do Sul e o próximo está previsto para 2009 no Brasil.

As delegações assinaram hoje sete acordos em matéria de meio ambiente, aviação civil, turismo e desenvolvimento da mulher, entre outros. EFE amp/wr/fal

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