Brasil e França pedem ampliação do Conselho de Segurança da ONU

O Brasil e a França lançaram nesta terça-feira em Nova York um apelo à reforma das instituições internacionais, principalmente do Conselho de Segurança da ONU, considerado inadaptado às realidades do mundo atual.

AFP |

"As Nações Unidas começaram a debater sobre a reforma do Conselho de Segurança há 15 anos. A estrutura da instituição não evoluiu em seis décadas, e não é mais adaptada aos desafios do mundo de hoje", declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que "somente instrumentos legítimos e eficientes podem garantir a segurança coletiva".

"A forma de representação atual constitui um obstáculo para o mundo multilateral que desejamos", afirmou Lula às delegações dos 192 países membros das Nações Unidas, no primeiro dia do debate anual da Assembléia Geral da ONU.

O Brasil é candidato a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.

O presidente brasileiro elogiou a decisão tomada na semana passada pela Assembléia Geral, de pedir a abertura antes do dia 28 de fevereiro de negociações entre os governos sobre a ampliação do Conselho de Segurança.

"Não se pode governar o mundo do século XXI com as instituições do século XX", declarou o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

"As grandes potências de hoje e as de amanhã precisam se unir para assumir, juntas, as responsabilidades decorrentes de seu peso nos assuntos mundiais, para que as instituições internacionais tenham mais coerência, sejam mais representativas, mais fortes e mais respeitadas", acrescentou.

"Quero dizer a todos os que ainda estão relutantes que ampliar o Conselho de Segurança e o G8 não é apenas uma questão de eqüidade, é também a condição para poder atuar com eficiência", afirmou Sarkozy.

"Não podemos mais esperar para ampliar o Conselho. Não podemos mais esperar para transformar o G8 em G13 ou G14, integrando a China, a Índia, a África do Sul, o México e o Brasil", finalizou.

O Conselho de Segurança tem atualmente 15 membros, entre eles cinco permanentes com direito de veto: China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia.

Sustentando que esta composição, instaurada em 1945 logo depois da Segunda Guerra Mundial, já não reflete mais o mundo de hoje, muitos países defendem a ampliação do Conselho a nações emergentes como o Brasil, o México, a Índia ou a África do Sul, e a importantes doadores como o Japão e a Alemanha.

Em 2005, o Brasil se aliou ao Japão, à Índia e à Alemanha para formar o G4 e promover, em vão, uma reforma estipulando a criação de seis novas cadeiras permanentes sem direito de veto, sendo uma para cada membro do G4 e as outras duas para países africanos a serem designados.

Vários rivais regionais de membros do G4 como a Argentina, a Itália e o Paquistão se opuseram à reforma, assim como a China, grande rival asiático do Japão.

A resolução aprovada pela Assembléia Geral não inclui uma proposta concreta de recomposição do Conselho de Segurança.

hc/yw

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG