Brasil e França intensificam buscas por destroços de Airbus

Aviões do Brasil, França e Estados Unidos decolaram nesta quarta-feira da base área de Natal para retomar as operações de busca pelos destroços do avião da Air France que desapareceu no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo.

AFP |

"Três aviões Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB), um avião Falcon 50 da França e uma aeronave P-3 Orion dos Estados Unidos decolaram nesta madrugada madrugada da base de Natal (Rio Grande do Norte) para retomar as buscas pelos vestígios em alto mar", afirmou uma fonte militar por telefone.

O avião R99, com radares especiais, manteve voos de inspeção e varredura eletrônica de sinais durante toda a noite, e as informações obtidas serão usadas para orientar o plano de voo dos cinco aviões que decolaram com a luz do dia.

Na tarde de terça-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou que aviões da FAB detectaram em alto-mar uma faixa de cinco quilômetros de extensão com destroços de uma aeronave e que não restavam dúvidas que eram do avião da Air France desaparecido.

No voo AF477 Rio-Paris viajavam 228 pessoas de 32 nacionalidades, incluindo 72 franceses e 59 brasileiros.

A investigação do acidente está a cargo da procuradoria de Paris, jurisdição competente pelo fato da maioria das vítimas residir nesta cidade.

O Estado-Maior francês anunciou nesta quarta-feira que não existem dúvidas de que os destroços encontrados no Atlântico são do Airbus da Air France que voava entre o Rio de Janeiro e Paris.

A companhia aérea deve divulgar nesta quarta-feira a lista oficial das 228 pessoas a bordo - 216 passageiros e 12 tripulantes.

Em Paris, o Escritório de Investigação e Análise (BEA) francês, responsável pela investigação sobre o desaparecimento do Airbus 330, informou que não está muito otimista sobre a possibilidade de encontrar as caixas-pretas.

"Não podemos excluir a possibilidade de que nunca encontremos os registros", declarou o director do BEA, Paul Louis Arslanian, durante uma entrevista coletiva.

Ele também recordou que os registros de voo, ou caixas-pretas, com certeza estão em um local profundo e montanhoso, no fundo do Oceano Atlântico.

"Não é a única ferramenta", completou, ao explicar que em casos anteriores "já se trabalhou sem os registros de voo".

No entanto, admitiu que as caixas-pretas são um meio precioso para as investigações".

"Se forem encontradas e estiverem em bom estado, permitiriam a obtenção de muitas informações e, provavelmentem ir muito mais longe", completou Arslanian.

Chamadas de caixas-pretas, as peças que registram os dados do voo são na verdade de cor laranja e se encontram a bordo de todos os aviões civis. Elas contêm informações sobre a trajetória, a velocidade, a altura do voo e também as conversas na cabine do piloto.

Mais cedo, o BEA afirmou que nenhum elemento leva a pensar que o avião tinha um problema antes da decolagem do Rio de Janeiro.

O BEA informou ainda que espera publicar um primeiro relatório até o fim de junho.

A procuradoria de Paris confirmou que vai assumir a investigação sobre a tragédia, depois que a justiça de Bobigny, nas proximidades de Paris, se declarou incompetente para o caso.

O procurador de Bobigny (Seine-Saint-Denis, norte de Paris), Francois Molins, citando o artigo 693 do código de procedimento penal, informou que era necessário levar em consideração o local de residência das vítimas e que nenhum dos passageiros do voo AF447 tinha residência legal nesta jurisdição.

Molins, ao lado de Laurent Le Mesle, procurador geral de Paris, se reuniu na terça-feira por mais de uma hora com quase 50 familiares das vítimas do voo da Air France no hotel Pullman de Roissy.

"Explicamos como a investigação se desenvolveria e os objetivos que queremos alcançar, informamos ainda o procedimento civil para o reconhecimento dos falecidos, caso os corpos não sejam encontrados. É um procedimento que já foi utilizado em outras catástrofes aéreas", afirmou Molins.

afp/fp

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