Brasil e França defendem institucionalização do G14, o mais rápido possível

A França e o Brasil defenderam nesta quinta-feira uma rápida evolução das reuniões do G8, o grupo de países industrializados, para um formato que inclua de maneira institucional as potências emergentes, informou o presidente da França, Nicolas Sarkozy, depois do encontro entre os dois grupos, na Itália.

AFP |

Informamos ao presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva, "nossa vontade de que o G8 evolue. Não é que as reuniões do G8 já não tenham utilidade, mas fica claro que sua representatividade já não é mais suficiente", disse Sarkozy em entrevista à imprensa.

"Há um G8, um G5, um G6. Propusemos a Lula que juntemos o mais rápido estes grupos num G14", acrescentou.

Da reunião de cúpula de L'Aquila participam os dirigentes de 14 países: os do G8 (EUA, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Canadá e Rússia), do G5 (China, Índia, Brasil, México e África do Sul) e do Egito.

Segundo Sarkozy, é "ilógico" que os grandes países emergentes não estejam associados de forma mais estreita para a busca, em conjunto, de soluções para os grandes problemas mundiais.

"Não vejo como poderemos convencer um país de mais de um bilhão de habitantes, como a Índia, a assumir sua parte na luta contra a mudança climática se a convidamos, apenas, para o final da cúpula, para pagar a conta", acrescentou Sarkozy.

"Espero que as coisas mudem já a partir da próxima cúpula (do G8) no Canadá", acrescentou.

Na opinião do chanceler brasileiro, Celso Amorim, Sarkozy fez "uma defesa muito forte e direta" da transformação do G8 em G14 e que Lula havia feito uma intervenção no mesmo sentido, durante almoço de trabalho, como parte da cúpula.

"Não vi objeções a isto, apenas matizes sobre a transição", explicou.

O chefe de governo italiano, Silvio Berlusconi, acha que "o G8 poderá continuar se reunindo normalmente, mas que o encontro com os emergentes deva durar mais tempo", não apenas algumas horas depois da cúpula do G8, disse Amorim.

Os questionamentos sobre o papel do G8 se multiplicaram com a crise econômica mundial, que mergulhou todos os seus membros na recessão.

As grandes decisões econômicas passaram de fato às mãos do G20 (que inclui ambos os grupos assim como potências regionais como Arábia Saudita, Nigéria e Argentina).

"Há um acordo geral para que os temas econômicos e financeiros sejam tratados no G20" pois, desse grupo, participam os ministros de Economia e os presidentes dos bancos centrais das nações, disse Amorim.

"O G14 poderia se centralizar em outros temas, como a segurança alimentar, a energia ou o clima", acrescentou.

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