Brasil e EUA debatem diferenças sobre Irã, mas mantêm posições

Eduardo Davis. Brasília, 3 mar (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu hoje apoio ao Brasil para possíveis sanções ao Irã, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não se deve colocar Teerã contra a parede e que ainda é possível dialogar.

EFE |

"Não é prudente encostar o Irã contra a parede. O que é prudente é estabelecer negociações. Quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: utilizar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos", afirmou Lula antes de receber Hillary em seu gabinete para uma reunião privada.

Lula, que visitará em maio o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse que "se o Irã tiver concordância com isso, terá apoio do Brasil. Se quiser ir além, o Irã irá contra ao que está previsto na Constituição brasileira e, portanto, não podemos concordar".

Já Hillary insistiu após uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que o Irã já deu provas de que "não quer" dialogar.

"Nossas portas sempre estiveram abertas às negociações, mas até agora não obtivemos resposta. Ninguém prefere as sanções, todos querem uma solução negociada, mas, até agora, não vimos um esforço sincero do Irã de querer andar na direção esperada pela comunidade internacional", afirmou a americana, para quem o programa nuclear iraniano pode oferecer "perigos" para o Oriente Médio e o mundo.

De acordo com Hillary, Teerã "recorre a países como Brasil, Turquia e China para evitar sanções internacionais", e por isso sustentou que é necessário "aumentar a pressão".

Segundo a chefe da diplomacia americana, se deve enviar "um recado muito claro" ao Irã, e o melhor seria a adoção de sanções.

"Acho que, se as sanções forem aprovadas no Conselho de Segurança da ONU, o Irã começará a negociar com boa vontade", afirmou.

Ao lado de Hillary, Amorim referendou as declarações de Lula e disse que o Brasil, como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, acredita na possibilidade de um acordo para que o Irã adquira urânio enriquecido de outros países para usá-lo em um programa nuclear pacífico, como já havia sido sugerido.

"Seria necessário um pouco de flexibilidade" das partes, disse Amorim. "Diante da espiral de fatos negativos, cada vez é mais difícil uma negociação. Mas achamos que vale a pena o esforço", completou o ministro.

Apesar de suas divergências sobre as sanções, Hillary e Amorim disseram que os objetivos de Estados Unidos e Brasil em relação ao Irã são "iguais" e apontam para impedir "a proliferação nuclear".

Hillary e Amorim também debateram as diferenças entre as posturas brasileiras e americanas em relação à legitimidade do presidente de Honduras, Porfirio Lobo, ainda não reconhecido pelo Braisl.

"Honduras fez progressos a favor da democracia e queremos trabalhar com o Brasil para seu retorno à Organização dos Estados Americanos (OEA)", declarou a secretária de Estado.

Amorim disse que "um golpe de Estado (como o que derrubou Manuel Zelaya em 28 de junho) não é uma coisa que possa ser facilmente absolvida", mas apontou que o Brasil observa "com muita atenção alguns gestos do Governo (de Lobo) rumo a uma reconciliação nacional".

O chanceler citou os passos dados em direção a uma ampla anistia e a destituição de chefes militares envolvidos no golpe, mas apontou que "um fato muito simbólico seria a criação de condições" para o retorno de Zelaya ao país.

Durante o encontro entre Amorim e Hillary foram assinados três acordos bilaterais nas áreas de mudança climática, gênero e cooperação com terceiros países, que estarão dedicados a incentivar o desenvolvimento de países da América Latina e África.

Além disso, ambos concordaram que a ajuda a países como Haiti e Chile - que "precisam de socorro em tempos de crise", segundo a secretária de Estado - deve ser mantida e aumentada.

Após suas atividades em Brasília, Hillary Clinton viajou para São Paulo, onde visitará a Faculdade Zumbi dos Palmares, em seu último compromisso no Brasil.

Em seguida, a secretária de Estado viajará para a Costa Rica, a quinta escala de um giro pela América Latina que já a levou ao Uruguai, Argentina e Chile e que terminará na Guatemala. EFE ed/bba

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