Brasil e EUA condenam atos de violência na Guiné

BRASÍLIA - O governo brasileiro repudiou nesta terça-feira os graves acontecimentos ocorridos em Conacri, capital da Guiné, onde cerca de 160 pessoas morreram após a polícia reprimir um protesto contra a junta militar que governa o país, na segunda-feira.

Redação com agências internacionais |

Em nota, o Itamaraty afirmou que o Brasil "deplora a repressão das manifestações populares e as violações cometidas contra os direitos humanos e democráticos dos cidadãos guineenses".

O texto diz, ainda, que o governo "exorta as autoridades guineenses a exercerem contenção no controle das manifestações públicas e a assegurarem condições para o pronto retorno à normalidade constitucional e democrática no país."

EUA

Os Estados Unidos também condenaram o que chamaram de uso "descarado e inoportuno da força contra civis pelo Exército da Guiné".  

"Exigimos a libertação imediata dos líderes da oposição e seu retorno ao poder civil o quanto antes possível, algo que o próprio povo da Guiné continua exigindo", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, em comunicado.

"Os Estados Unidos continuarão monitorando ações ilegais do Exército e do governo, e trabalhando com seus aliados internacionais na Guiné", ressaltou.

Conacri teve um novo dia de violência nesta terça-feira com um registro de três jovens mortos por soldados, um dia depois de manifestantes terem sido duramente reprimidos pelas forças de ordem, que assassinaram 157 opositores e cometeram atos de barbárie.


Oficiais do Exército prendem manifestante em Conacri / AFP

Forças de segurança do país na costa oeste da África abriram fogo contra dezenas de milhares de manifestantes que protestavam contra a possibilidade do chefe militar capitão Moussa Dadis Camara se manter nas eleições do ano que vem.

"Além disso, militares foram vistos recolhendo cadáveres nas ruas para levá-los ao campo Alpha Yaya Diallo, sede da junta, provavelmente para evitar uma contagem precisa do número de mortos que mostraria o tamanho da matança", denunciou em um comunicado o partido de oposição União de Forças Republicanas (UFR) - cujo presidente, que participava do protesto, ficou ferido na cabeça.

"Os crimes do Exército guineano, porém, não acabam aí: várias mulheres foram estupradas pela guarda de Dadis Camara (líder da junta) perto do estádio onde a multidão havia se reunido", acrescenta o comunicado.

"Segundo fontes no local, as autoridades criaram uma armadilha para o povo reunido: o Exército aguardou que o estádio ficasse cheio para entrar e disparar contra a multidão", afirma o partido de oposição.

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