Brasil e EUA celebram libertação de dissidentes cubanos

Segundo Amorim, "as coisas caminham na direção correta"; departamento dos EUA classifica acontecimento de "positivo"

iG São Paulo |

O Brasil e os EUA saudaram a libertação nesta terça-feira de 7 dos 52 prisioneiros políticos que a Igreja cubana anunciou que o governo de Raúl Castro deve soltar em até quatro meses. Para o chanceler brasileiro, Celso Amorim, o governo cubano caminha na "direção correta" com a decisão de libertar os dissidentes.

"Louvamos o êxito desse processo. É muito positivo. Estamos satisfeitos e felizes e aplaudimos porque as coisas estão caminhando na direção correta", afirmou o ministro de Relações Exteriores. As declarações coincidiram com a chegada a Madri dos sete presos libertados que pediram para serem levados à Espanha.

O Departamento de Estado dos EUA elogiou a participação da Espanha e da Igreja Católica cubana na mediação com Cuba para libertar os opositores, classificando o acordo de "um acontecimento positivo".

"Os EUA continuam a pedir a libertação imediata e incondicional de todos os prisioneiros políticos, (mas) esse é um acontecimento positivo que, esperamos, marcará um avanço para um respeito maior aos direitos humanos e às liberdades fundamentais em Cuba", indicou em comunicado o porta-voz Philip Crowley."Todos os prisioneiros libertados devem ser livres para escolher se desejam permanecer em Cuba ou viajar para outros países", acrescentou.

Amorim disse que, na segunda-feira, falou por telefone com o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, para felicitá-lo pelo desfecho da crise e pelo papel do governo espanhol no processo.

Os 52 presos fazem parte do grupo de 75 opositores condenados a até 28 anos de prisão na repressão chamada de "Primavera Negra", em 2003. Os demais 23 dissidentes desse grupo foram libertados previamente, a maioria por questões de saúde.

© AP
Cubanos libertados acenam após chegada a Madri, na Espanha

Chegada à Espanha

Os cubanos chegaram nesta terça-feira a Madri em dois voos separados que deixaram Havana na noite de segunda-feira. Os sete dissidentes e suas famílias somam cerca de 53 pessoas, segundo porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha.

Segundo o ministério, no primeiro voo viajaram Léster González, Omar Ruiz, Antonio Villarreal, Julio César Gálvez, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco, juntamente com seus familiares. Em outro avião, que pousou no aeroporto de Barajas cerca de uma hora depois, chegou Ricardo González Alfonso.

Os sete fazem parte do grupo de 20 que aceitaram se exilar na Espanha . Na segunda-feira, Moratinos afirmou que os dissidentes cubanos serão cidadãos livres e desfrutarão de plenos direitos. Eles contarão com "o apoio e a assistência" do governo espanhol para que possam encontrar uma casa.

A libertação dos dissidentes anunciada na semana passada poderá ser a maior desta década na ilha comunista. Depois que o acordo foi anunciado, na semana passada, o dissidente Guillermo Fariñas, que estava à beira da morte, encerrou a greve de fome que mantinha havia 135 dias .

Horas antes de os dissidentes partirem, o ex-presidente Fidel Castro, de 83 anos, apareceu na TV estatal . Em uma entrevista de uma hora e meia, Fidel falou sobre assuntos internacionais como Coreia do Norte e Irã, e voltou a atacar os Estados Unidos.

*Com EFE e AFP

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