Brasil e Espanha pedem informações sobre possíveis bases dos EUA na Colômbia

Brasília, 30 jul (EFE).- Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, pediram hoje informações sobre os planos da Colômbia de instalar bases dos Estados Unidos em seu território, diante do risco de que possa haver uma militarização na região.

EFE |

Moratinos e Amorim expressaram seus receios diante dos efeitos deste programa militar, em entrevista coletiva na visita a Brasília do chefe da diplomacia espanhola.

Os dois ministros fizeram uma chamada ao diálogo entre a Venezuela e a Colômbia e concordaram em trabalhar "para evitar um espiral de desencontros" entre os dois países.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, "congelou" as relações diplomáticas com a Colômbia e retirou seu pessoal diplomático depois do anúncio do Governo de Álvaro Uribe de que negocia com os EUA o uso de suas bases militares por soldados americanos.

Moratinos assegurou que é necessário evitar um "processo de militarização na América Latina, que não teria acabado no século XXI".

Acrescentou que a Espanha pediu informações aos EUA e à Colômbia diante do que considerou uma "nova situação", apesar de ter opinado que se trata de uma "questão bilateral".

"O que temos é que trabalhar para que não haja desencontros e tentar que Venezuela e Colômbia voltem a ter uma relação de respeito. Temos que reconstruir a confiança", manifestou.

Moratinos explicou que, durante a reunião realizada ontem com Chávez em Caracas, o líder venezuelano demonstrou "vontade de diálogo".

Afirmou, além disso, que a vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, fará uma visita a Bogotá na próxima semana e "terá a oportunidade" de tratar o assunto com as autoridades colombianas.

Amorim disse que o Brasil "recebeu algumas explicações da Colômbia" sobre as bases, mas que "a presença de tropas de países que não pertencem à região sempre preocupa e deve ser melhor explicada".

Além de analisar o cenário regional e a crise em Honduras, os dois ministros repassaram o estado das relações bilaterais e falaram sobre o interesse em aumentar seus investimentos recíprocos.

Moratinos disse que a Espanha quer aproveitar as oportunidades oferecidas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê investimentos para os próximos anos no valor de US$ 260 bilhões.

O ministro declarou que este interesse se estende para muitos terrenos, mas citou o desejo de que empresas espanholas participem do projeto do trem de alta velocidade entre Rio de Janeiro e São Paulo, cuja licitação espera-se que seja convocada antes do fim do ano.

"A Espanha quer estar nessa alta velocidade. Estamos em nosso país, na Europa e queremos acompanhar essa nova aposta de futuro do Brasil", proclamou Moratinos.

Segundo Moratinos, o investimento espanhol no Brasil, a segunda em volume depois dos EUA, é "muito diversificada e potente" e procura garantir-se em setores como o de infraestruturas, energia e transporte ferroviário, naval e aéreo.

Amorim se mostrou receptivo ao interesse das companhias espanholas, mas se queixou que as empresas brasileiras não têm as mesmas facilidades na Espanha.

No plano comercial, manifestaram sua confiança em que o reatamento das negociações entre a União Europeia e o Mercosul tenha um novo impulso durante a Presidência espanhola no primeiro semestre de 2010.

A visita de Moratinos a Brasília antecede a de María Teresa na semana que vem, dentro de uma viagem que também inclui a Costa Rica, o Paraguai e a Colômbia.

O ministro de Exteriores também confirmou que o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, viajará ao Brasil em 2010 para participar do III Fórum da Aliança de Civilizações.

Moratinos agradeceu ao Brasil pelo apoio de que a Espanha faça parte do G20 ampliado e tenha responsabilidades nas reformas deste fórum.

Moratinos voltará de Brasília para Madri com os empresários que o acompanharam na viagem pela região. EFE cpg-ed/pd

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