Brasil e emergentes vão ao G8 ameaçados por inflação, subsídios e petróleo

Eduardo Davis Brasília, 6 jul (EFE).- Brasil, China, Índia, México e África do Sul voltarão a levar a voz do mundo em desenvolvimento ao Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia), em um momento em que a decolagem da economia dos emergentes se vê ameaçada pela inflação, os preços do petróleo e os subsídios agrícolas concedidos nas nações mais ricas.

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A cúpula que o G8 realizará, a partir de amanhã, em Hokkaido (norte do arquipélago japonês), reunirá pela quarta vez os líderes brasileiro - na representação do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, chinês, indiano, mexicano e sul-africano com os dos sete países mais ricos do planeta (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido) e da Rússia.

Os emergentes lidam atualmente com o forte impacto da escalada dos preços do petróleo e com a alta dos alimentos.

Formam ainda o chamado Grupo dos 20 (G20), que exige a eliminação dos subsídios agrícolas nas nações mais desenvolvidas, um dos assuntos que mantém estagnada a Rodada de Doha, sobre liberalização do comércio mundial no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os alvos principais das reclamações do G20 são a União Européia (UE) e os EUA.

As esperanças que os países mais pobres tinham depositado nas negociações que desde 2003 ocorrem na OMC já quase naufragaram, mas até agora ninguém se atreveu a colocar um ponto final na Rodada de Doha.

Fontes brasileiras disseram à Agência Efe que, em Hokkaido, os líderes de Brasil, China, México, Índia e África do Sul voltarão a protestar contra os subsídios agrícolas.

Os emergentes temem que esses incentivos possam ser fortalecidos pela crise alimentícia, o que representaria um novo obstáculo na busca por um comércio mundial mais igualitário.

A preocupação com os subsídios vai além, passando também pela possibilidade de o democrata Barack Obama suceder George W. Bush na Presidência dos EUA.

"O Partido Democrata sempre foi mais protecionista que o Republicano, e poderia ser ainda mais agora, devido à própria crise americana", disseram à Efe fontes oficiais brasileiras.

O presidente Lula deve aproveitar sua participação na cúpula do G8 para voltar a condenar os subsídios, que aponta como responsáveis por "fechar as portas do desenvolvimento aos países mais pobres".

Lula usará ainda a tribuna de Hokkaido em função do que definiu como uma "ofensiva diplomática" em favor da bioenergia e, em particular, do etanol elaborado a partir da cana-de-açúcar.

Segundo o Brasil, ao contrário do etanol que os EUA produzem - à base de milho -, o de cana não incide nos preços dos alimentos e ajuda a limitar a emissão de gases poluentes.

De acordo com a organização ambientalista WWF, 13 países que assistirão à cúpula do G8 são responsáveis pela emissão de 85% dos gases que produzem o efeito estufa.

No mês passado, academias nacionais de ciências dos países do G8 se uniram a similares de Brasil, China, Índia, México e África do Sul para reivindicar medidas urgentes no combate à mudança climática.

Os cientistas pediram a esses 13 países que se comprometam a reduzir pela metade suas emissões de gases até 2050, e que desenvolvam tecnologias que ajudem as nações mais pobres a se preparar para uma possível escassez de alimentos e água.

As academias sustentam que a água, as fontes de alimentos, a saúde, as populações ribeirinhas e os ecossistemas sensíveis serão os mais afetados pela mudança climática, cujo impacto será sentido em particular na África, na Ásia, no Ártico e em pequenas ilhas.

Em encontro de ministros do Meio Ambiente realizado em maio passado e preparatório para a cúpula de Hokkaido, o México propôs a criação de um "Fundo Verde", que seria constituído com recursos fornecidos por todos os países do mundo.

As contribuições seriam determinadas de acordo com a porcentagem global de emissões de cada nação, as taxas de emissões per capita entre seus habitantes e seu Produto Interno Bruto (PIB), e seriam utilizadas para auxiliar as nações mais ameaçadas pelo problema.

Essa proposta será ratificada em Hokkaido pelo presidente do México, Felipe Calderón, que já obteve apoio de algumas instituições internacionais, como a fundação dirigida pelo ex-presidente americano Bill Clinton. EFE ed/fr

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