Brasil e emergentes cobram do G8 solução para crise alimentar

O Brasil e outros quatro países emergentes cobraram nesta terça-feira dos líderes do G8 soluções para o problema da crise mundial dos alimentos e a adoção de mecanismos de controle para evitar que a especulação financeira alimente a alta nos preços.

BBC Brasil |

Esse grupo de países emergentes, o G5, formado por Brasil, China, Índia, México e África do Sul, participa na quarta-feira como convidado da cúpula do G8 que se realiza desde segunda-feira na Ilha de Hokkaido, no Japão.

Após uma reunião de duas horas para definir uma posição comum a ser levada aos líderes do G8, os países do G5 se disseram preocupados com o risco de que a alta dos alimentos eleve o nível de pobreza nas nações em desenvolvimento.

"O aumento nos preços dos alimentos afeta substancialmente as nossas economias", afirmou o presidente do México, Felipe Calderón, que neste ano é o coordenador do G5.

Ele pediu aos países ricos e também às organizações internacionais que estudem o problema e apresentem soluções.

"Não se deve culpar os países em desenvolvimento (pela alta)", disse ele. O argumento foi repetido após a reunião pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim.

"Essas são crises originadas no mundo desenvolvido e que acabaram vindo para os países em desenvolvimento", disse.

Segundo Amorim, existe hoje "um descolamento entre os preços futuros das commodities e as relações entre oferta e demanda", o que indica que as altas nos preços são em parte decorrentes de especulação financeira.

Aquecimento

O ministro brasileiro observou ainda que as questões relacionadas ao combate ao aquecimento global, apresentadas inicialmente como o tema principal da cúpula no Japão, acabaram perdendo espaço para a ameaça representada pelos preços dos alimentos e do petróleo.

Apesar disso, o G5 voltou a defender que os países mais ricos adotem metas de controle de emissões de gases do efeito estufa sem exigir como contrapartida dos países mais pobres ações que prejudiquem o seu crescimento econômico.

Calderón observou que os cinco países reunidos no G5 "têm juntos quase 45% da população mundial, são as principais economias em desenvolvimento e representam as preocupações do conjunto dos países em desenvolvimento".

O presidente mexicano disse ainda que o G5, formado informalmente a partir dos convites regulares para participar de parte das discussões das cúpulas do G8 desde 2005, estuda realizar uma reunião prévia meses antes da cúpula do ano que vem para apresentar sua posição comum.

Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu organizar essa cúpula prévia do G8 no Brasil.

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