O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega colombiano, Álvaro Uribe, se encontraram nesta terça-feira em Brasília para discutir medidas que permitam uma maior integração econômica entre Brasil e Colômbia. Uma das propostas seria a maior utilização do Convênio de Créditos e Pagamentos Recíprocos (CCR), instrumento que funciona como crédito em operações de financiamento.

Sem esse tipo de garantia, financiamentos bancários - como os oferecidos pelo BNDES - podem se tornar muito caros, a ponto de inviabilizarem os investimentos de empresas brasileiras no exterior.

Os dois presidentes também discutiram as vantagens da utilização de uma moeda local no comércio entre os dois países. As trocas comerciais do Brasil com seus vizinhos latinos são todas feitas em dólar, com exceção das feitas com a Argentina, onde já foi adotado o sistema de moedas locais.

"Nossos ministérios e bancos centrais têm de criar regras para a gente não depender tanto do dólar", disse Lula.

"O Brasil não pode se dar ao luxo de esquecer que têm países na América Latina com menos condições econômicas. Queremos construir uma parceria sólida, sem visão de hegemonia", disse o presidente brasileiro.

A Colômbia é o sétimo parceiro comercial do Brasil na América Latina, atrás de Argentina, Venezuela, Chile, México, Paraguai e Peru. No ano passado, o comércio bilateral foi deficitário para os colombianos em US$ 1,47 bilhão.

Durante sua visita ao Brasil, Uribe passou antes por São Paulo, onde se encontrou com representantes da Federação das Indústrias (Fiesp) e com o governador, José Serra.

Acompanhado por uma comitiva de ministros e empresários, Uribe defendeu a Colômbia como destino para investimentos na América Latina.

Logo após encontro com Lula, Uribe disse que, no passado, os empresários brasileiros olhavam para a Colômbia como "algo muito pequeno", enquanto os colombianos, "temiam que nossa economia fosse engolida pela brasileira".

"Esses preconceitos ficaram para trás", disse o presidente colombiano.

O presidente Lula também defendeu uma maior integração econômica entre os dois países, "especialmente agora, em função da crise".

"Essa crise precisa ser encarada como oportunidade extraordinária de fazermos aquilo que sabemos fazer, mas que nunca ousamos fazer porque sempre recebíamos o prato pronto dos países desenvolvidos", disse Lula.

O presidente ainda afirmou que pretende conversar com empresas brasileiras que teriam suspendido seus investimentos na Colômbia.

"Estou sabendo que empresas brasileiras que tinham grandes investimentos na Colômbia, por alguma razão, desativaram esses investimentos. Meu compromisso é de fazer com que nós tenhamos aqui no Brasil uma conversa com essa empresa, para que possamos manter o financiamento ao investimento", disse Lula.

De acordo com um representante da equipe econômica, a empresa mencionada pelo presidente é a Votorantim, que havia iniciado um projeto para a construção de uma usina siderúrgica no país vizinho.

Lula disse ainda que o governo não vai reduzir seus investimentos e que, na próxima semana, irá anunciar um projeto para a construção de 1 milhão de casas populares.

O assessor especial para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que o presidente Lula deverá conversar ainda hoje com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sobre o resultado do referendo.

No último domingo, os venezuelanos aprovaram a proposta de reeleição ilimitada no país, o que, segundo analistas, deve favorecer o atual presidente.

Questionado sobre uma possível ameaça à democracia na Venezuela, Garcia respondeu que alguns analistas estão colocando a questão de maneira "preconceituosa".

"O presidente Roosevelt foi eleito quatro vezes. Não foi eleito cinco vezes porque faleceu antes. Não acredito que (isso) tenha sido uma tentação autoritária", disse Garcia, referindo-se ao presidente Franklin Roosevelt, que governou os Estados Unidos de 1933 a 1945.

Garcia disse ainda que a pergunta sobre a reeleição ilimitada "deve ser colocada na França e outros países, que adotam um sistema igual".

No caso da Venezuela, disse Garcia, "a própria oposição reconheceu que foi um referendo limpo".

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