Brasil e Bolívia estreitam laços durante visita de Lula a reduto de Morales

Soledad Álvarez. Villa Tunari (Bolívia), 22 ago (EFE).- Brasil e Bolívia estreitaram hoje seus laços com novos acordos nos setores de infraestrutura, comércio e pesquisa sobre o lítio, defendidos pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales como mais um passo na integração regional.

EFE |

Lula visitou hoje a região de Chapare, reduto de partidários de Morales, para firmar vários compromissos de cooperação com a Bolívia, em um grande ato no qual os presidentes não fizeram referência alguma à relação entre os dois países no setor energético, ao contrário do esperado.

Antes do evento, os dois presidentes tiveram um encontro bilateral particular em um restaurante da região, sem o acesso da imprensa.

A turística cidade Villa Tunari se preparou para receber Lula e celebrar o convênio pelo qual o Brasil financiará com US$ 332 milhões a construção de uma estrada de mais de 300 quilômetros que ligará a região à cidade de San Ignácio de Moxos.

Esta infraestrutura fará parte do chamado "corredor bioceânico", idealizado para ligar o porto de Santos (SP), no oceano Atlântico, ao de Iquique (Chile), no Pacífico.

A construção da nova estrada boliviana permitirá a criação de 4.500 empregos diretos e indiretos, segundo a construtora brasileira OAS, encarregada do projeto. A companhia também constrói outras duas vias na Bolívia.

Além disso, Brasil e Bolívia assinaram hoje um memorando de cooperação científica sobre o desenvolvimento tecnológico e industrial do lítio do Salar de Uyuni, onde, segundo o Governo Morales, está a metade da reserva mundial deste mineral, muito usado em baterias elétricas.

Lula anunciou também que seu Governo aprovou um decreto para que a Bolívia exporte seus produtos têxteis ao Brasil com tarifa zero para compensar os efeitos da decisão dos Estados Unidos de retirar determinadas preferências tarifárias do país andino.

Segundo o presidente, a abertura deste mercado pode ser uma "ocasião extraordinária" para desenvolver a indústria boliviana e dar valor agregado a seus produtos.

Brasil e Bolívia também firmaram acordos nas áreas de Defesa Civil e assistência humanitária e decidiram pela construção de um centro de formação profissional para jovens bolivianos.

Todos estes convênios, segundo Lula, servem para reafirmar sua aposta pela integração regional na América Latina, porque "não existe possibilidade de que um país só resolva seus problemas".

Lula lembrou que, em outras épocas, os países da América Latina pareciam um "grupo de amigos" que não confiavam uns nos outros e que ficavam esperando que os EUA ou a Europa resolvessem seus problemas.

"Agora há uma geração de governantes que sabem que a única solução para nossos problemas é a integração latino-americana e o estabelecimento de boas relações entre todos nós", manifestou.

"Ou entendemos que temos que nos ajudar, construir alianças e trabalhar juntos ou passaremos mais um século vendo nosso povo pobre, sem se desenvolver e sem melhorar sua qualidade de vida", alertou Lula.

Morales, por sua vez, centrou seu discurso na importância que os acordos com o Brasil, principalmente o que prevê a construção da nova estrada, terão para a integração interna da Bolívia.

Para conseguir integrar o território boliviano, o presidente do país mencionou a necessidade de construir quatro "pontes" viárias para unir o leste com o oeste e o norte com o sul com novas estradas.

Também afirmou que a Bolívia precisa de aeroportos em cada uma das capitais regionais do país e no que chamou de "pólos de desenvolvimento" como Puerto Suárez (na fronteira com o Brasil), Uyuni (no departamento de Potosí) e Chimoré, na região de Chapare.

Os dois presidentes fizeram referências em seus discursos a assuntos atuais da região, como a situação de Honduras e o acordo militar entre Colômbia e EUA para o uso de bases militares colombianas.

Sobre o primeiro assunto, Lula pediu o retorno "incondicional" de Manuel Zelaya a seu país, enquanto Morales reivindicou o fim da "ditadura" em Honduras.

Quanto às bases colombianas, Morales insistiu em rejeitar seu uso pelos EUA e afirmou que qualquer Governo ou líder que permite a presença de militares estrangeiros na região "são traidores da libertação de povos da América Latina".

Já Lula não falou explicitamente sobre o assunto, mas teceu comentários sobre a cúpula que os países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) devem realizar no próximo dia 28 em Bariloche (Argentina) para analisar esse convênio militar.

"É uma grande oportunidade que temos para demonstrar que a América do Sul está construindo sua democracia, sua prosperidade e estamos trabalhando para que a paz reine na América do Sul", disse o presidente. EFE sam/bba

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