Os governos de Brasil e Argentina querem lançar em 2010 uma ação conjunta para reverter a tendência de perda de mercado de seus produtos nos demais países latino-americanos. A informação foi dada, nesta quinta-feira, pelo secretário brasileiro de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), Welber Barral, em visita a Buenos Aires.

Como as nações da região que não fazem parte do Mercosul fecharam diversos acordos de livre-comércio com países asiáticos, empresários brasileiros e argentinos vêm perdendo acesso aos países vizinhos. Chile e Peru, por exemplo, assinaram tratados com a China.

"Queremos reverter essa perda de mercado. E queremos trabalhar nisso urgentemente enquanto a Argentina preside o Mercosul (até julho), e logo depois, quando a presidência temporária (de seis meses) do bloco estará com o Brasil", afirmou Barral.

Entre os produtos brasileiros e argentinos mais afetados, disse o secretário, estão os do setor manufaturado. Segundo ele, técnicos da área industrial e de exportação dos dois países vão analisar como realizar acordos comerciais com esses países e melhorar a logística das exportações para esses mercados.

Barral disse que recuperar esse comércio faz parte da "agenda positiva" que Brasil e Argentina definiram para este ano. O objetivo é aproveitar as expectativas de expansão econômica dos dois vizinhos para intensificar e diversificar a integração bilateral, que é ancorada principalmente na área comercial e que é frequentemente motivo de disputas entre os dois países.

Perda de mercado
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, as exportações brasileiras para a América Latina caíram 30,9% em 2009 frente a 2008, passando de US$ 45,1 bilhões para US$ 31,1 bilhões. Para o Chile, essa retração foi mais brusca: 44,5%, saindo de US$ 4,8 bilhões, em 2008, para apenas US$ 2,6 bilhões no ano passado. O Chile é hoje o país com maior número de acordos de livre comércio no planeta.

Para melhorar essa relação bilateral entre brasileiros e argentinos, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial realizou uma pesquisa mostrando alternativas para aumentar a complementação produtiva entre Brasil e Argentina. Dois setores citados foram os de biocombustíveis e a indústria naval.

Esse estudo é um dos temas do encontro nesta sexta-feira entre os ministros da Fazenda, Guido Mantega, das Relações Exteriores, Celso amorim, e da Indústria, Miguel Jorge, com seus pares argentinos em Buenos Aires.

A comitiva brasileira está analisando desde como melhorar a relação comercial e produtiva com a Argentina até a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à capital do país vizinho marcada para março.

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