Brasil e Argentina deploram ofensiva de Israel em Gaza

Bogotá, 4 jan (EFE).- Os Governos do Brasil e da Argentina deploraram hoje a ofensiva terrestre de Israel em Gaza, que agrava o conflito iniciado há nove dias, enquanto o Peru criticou a falta de acordo no Conselho de Segurança da ONU para pedir um imediato cessar-fogo.

EFE |

Em comunicado no site do Ministério das Relações Exteriores, o Governo brasileiro "reitera declarações anteriores nas quais clama a ambas as partes (Israel e o grupo palestino Hamas) para que se abstenham de atos de violência".

Além disso, insiste em que programar uma cúpula internacional sobre o conflito entre israelenses e palestinos, tal como propõe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "constituiria um passo importante para o restabelecimento da paz" em Gaza.

O Governo argentino condenou a incursão, assim como "o uso desproporcional da força" por parte de Israel, segundo um comunicado da Chancelaria.

"A Argentina conclama Israel a se retirar da Faixa de Gaza, respeitar plenamente suas obrigações de conformidade com o direito internacional" e tomar medidas para proteger a população civil palestina, a que mais está sofrendo neste conflito, diz o comunicado.

Diante do "dramático agravamento da situação", o Governo de Cristina Fernández de Kirchner também reiterou sua rejeição "ao lançamento de mísseis por parte de grupos palestinos contra o território israelense".

Por sua vez, o Governo peruano admitiu sua preocupação pela falta de um pronunciamento do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação em Gaza e reiterou a necessidade de se declarar imediatamente um cessar-fogo.

O Conselho de Segurança da ONU terminou ontem à noite a reunião que mantinha para estudar a situação em Gaza sem que seus 15 membros fossem capazes de fechar uma declaração conjunta a respeito pela oposição dos Estados Unidos, principais aliados de Israel.

O chanceler peruano, José Antonio García Belaúnde, comentou à "Rádio Nacional" que, apesar do Governo já ter exigido "um imediato cessar-fogo, antes que mais vidas de inocentes (...) possam ser perdidas por este ataque", emitirá nas próximas horas um novo pronunciamento contra a ofensiva israelense.

A ofensiva foi classificada como uma ação de defesa pelo arcebispo de San Salvador, Fernando Sáenz Lacalle, que ainda assim pediu o fim do conflito que, segundo ele, põe em um momento "crítico" o mundo.

Israel "tem direito de se defender dos ataques que estão recebendo de Gaza" e são as autoridades palestinas que "deveriam controlar estes ataques para que houvesse paz", disse em referência aos mísseis lançados desde antes do fim do cessar-fogo, em 19 de dezembro, pelo Hamas.

Os católicos "temos que ter um grande carinho e um grande afeto ao povo hebraico porque a ele pertence Jesus Cristo, e, portanto, são irmãos nossos", manifestou.

No extremo oposto, centenas de palestinos residentes no Chile realizaram hoje um protesto contra a ofensiva israelense em frente ao Palácio de la Moneda em Santiago.

Os manifestantes, liderados pelo presidente da Federação de Entidades Palestinas no Chile, Mauricio Abu-Ghosh, pediram ao Governo de Michelle Bachelet que reveja as relações com Israel.

Por sua parte, a comunidade palestina na Colômbia anunciou que pedirá ao Congresso deste país um pronunciamento sobre o tema.

Nos Estados Unidos, o vice-presidente Dick Cheney revelou hoje que Israel não pediu a "autorização ou aprovação" do Governo americano antes de empreender a invasão terrestre a Gaza.

"Acho que provavelmente decidiram que, para perseguir essa organização terrorista (Hamas), não era suficiente uma campanha aérea e que precisavam lançar uma operação no terreno se quisessem eliminar os pontos de onde lançaram os mísseis contra Israel", comentou Cheney à rede de televisão "CBS".

Enquanto isso, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, cancelou sua viagem à China prevista para hoje diante da escalada de violência em Gaza.

Amanhã, os olhos do mundo estarão voltados para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que enfrentará em Jerusalém um difícil desafio: arrancar de Israel a declaração de uma trégua em Gaza. EFE mb/jp

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