Brasil e Argentina decidem abandonar dólar em transações comerciais

Brasília, 8 set (EFE).- O Brasil e a Argentina assinaram hoje um convênio a partir do qual vão abolir o dólar e adotar o real e o peso argentino como divisa oficial em suas transações comerciais.

EFE |

O Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) começará a funcionar em 3 de outubro, anunciou hoje o ministro de Fazenda, Guido Mantega, na cerimônia de assinatura do acordo, comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela chefe de Estado da Argentina, Cristina Kirchner.

O convênio para a substituição do dólar pelas moedas locais foi assinado no Palácio de Plananto por Henrique Meirelles, presidente do Banco Central brasileiro, e por seu colega argentino Martín Redrado.

O ministro brasileiro afirmou que agora os dois países trabalharão para estender o acordo a seus outros dois sócios no Mercosul - Paraguai e Uruguai -, embora esse processo exigirá uma difícil adaptação técnica.

Com a medida, o maior bloco comercial sul-americano poderá avançar rumo à adoção de uma moeda única.

Mantega disse que Brasil e Argentina estão planejando um ato especial em Buenos Aires para, em 3 de outubro, comemorar a entrada em funcionamento do novo sistema.

"Pelo novo sistema, importadores e exportadores da Argentina e do Brasil poderão pagar e receber pelas transações comerciais em suas respectivas moedas", segundo um comunicado divulgado pelo BC brasileiro.

"O aprofundamento do mercado real-peso, a redução dos impedimentos nas transações comerciais entre os dois países e o acesso de pequenos e médios exportadores são os principais objetivos da iniciativa", acrescenta a nota.

O acordo favorecerá principalmente pequenos e médios empresários, que não precisarão mais fazer contratos cambiais para vender seus produtos ao país vizinho.

"Com a eliminação de uma terceira moeda nas transações diretas entre as empresas, o exportador, ao fixar o preço da venda na moeda de seu país, deixa de ficar exposto às variações nas taxas cambiais e terá a garantia de que receberá exatamente o valor negociado em sua moeda, o que confere mais segurança no cálculo de seus custos", segundo o comunicado da entidade. EFE cm/sc

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