Brasil e Argentina criam linha de crédito de US$ 1,8 bi

Brasília, 19 ago (EFE).- O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o titular de Economia da Argentina, Amado Boudou, assinaram hoje um acordo para criar uma linha de crédito recíproca, que dará acesso a cada país a cerca de US$ 1,8 bilhão.

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Em entrevista coletiva, os ministros explicaram que os detalhes do convênio serão discutidos por técnicos dos bancos centrais de cada país, que estabelecerão as normas e os prazos do que chamaram de "swap", assim como a data de entrada em vigor do pacto.

Mantega disse que a ideia é que cada país forneça o equivalente a US$ 1,8 bilhão, o que disse que, ao câmbio atual, representaria 7 bilhões de pesos argentinos e R$ 3,5 bilhões.

Segundo o ministro da Fazenda, "em um cenário em que o crédito internacional fica escasso, busca-se fortalecer o acesso a recursos", que, de acordo com analistas locais, beneficiaria especialmente à Argentina, que, durante os últimos anos, teve sérios problemas de financiamento.

"Com este acordo, também se busca uma maior integração financeira" entre os dois países, afirmou Mantega, que explicou que os créditos poderão ser utilizados ou não e que, inicialmente, foi sugerido que fossem aplicados os juros básicos em cada país, que são de 11% na Argentina e de 8,75% no Brasil.

Boudou disse que esta linha de crédito servirá para fortalecer iniciativas como o comércio em moedas locais, em vez de dólares, que Brasil e Argentina implementaram no ano passado, mas que até agora não despertou muito interesse dos empresários.

Segundo Mantega, Brasil e Argentina são obrigados a dar esse passo, para avançar na integração financeira, que está atrasada em relação à integração nas áreas política e comercial.

Mantega explicou que o Brasil está interessado em ampliar esses mecanismos para Uruguai e Paraguai, os outros membros do Mercosul.

Para Boudou, o estabelecimento dessa linha de crédito bilateral será completado depois com o Banco do Sul, formado por Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Paraguai e Uruguai.

Além de tratar sobre essa futura linha de crédito, Mantega e Boudou fizeram um repasse da agenda econômica e comercial entre os países e destacaram que, após a paralisação sofrida no começo do ano, o comércio entre os dois países começou a subir.

Mantega assegurou que, só nesse ano, os dois países atingiram uma troca próxima a US$ 25 bilhões, com o que se disse convencido de que "se podem dar por superados" os efeitos da crise financeira internacional.

Os ministros garantiram que as economias dos dois países enfrentaram com sucesso as turbulências, o que fundamentaram nos níveis de suas reservas internacionais, que estão na ordem de US$ 212 bilhões no Brasil e de US$ 44 bilhões na Argentina.

Sobre as pendências comerciais que existem, coincidiram em que representam "uma minoria" do universo comercial bilateral.

Mantega explicou que as licenças não automáticas aplicadas pela Argentina, que foram criticadas por empresários brasileiros, só afetam "6% da pauta comercial bilateral", na qual, assegurou, "predomina a harmonia". EFE ed/db

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