Brasil e Arábia Saudita divergem sobre mercado de carbono--fonte

Por Michael Szabo COPENHAGUE (Reuters) - O Brasil está bloqueando propostas de elevação do financiamento ao mercado de carbono para nações emergentes nas conversações da ONU, em Copenhague, disse uma fonte. Além disso, uma divergência com a Arábia Saudita sobre área florestal e projetos de armazenamento de carbono podem impedir a finalização de um novo acordo sobre o clima, afirmou nesta quarta-feira essa mesma fonte, que acompanha as conversações.

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Várias reformas no mercado de compensações de carbono, de 6,5 bilhões de dólares, criado no âmbito do Protocolo de Kyoto e chamado de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), foram apresentadas nas conversações desta semana em Copenhague, mas até o momento houve acordo apenas sobre algumas delas.

"Todas as medidas que iriam permitir que esse mecanismo ganhasse impulso, incluindo mais transparência, mais normas legais e o estabelecimento de padrões que sirvam de referência estão sendo bloqueados pelo Brasil", disse um assessor de negociadores, que pediu para não ser identificado.

"A proposta brasileira para as áreas florestais e a da Arábia Saudita para a absorção e armazenamento de carbono estão sendo mutuamente contestadas desde o primeiro dia ... Isto poderia ser um fator impeditivo de um acordo em todos os níveis e poderia atrapalhar um acordo final."

Como o desmatamento responde por cerca de um quinto das emissões globais, o Brasil está fazendo lobby perante as nações ricas para que paguem pela preservação das vastas florestas tropicais do país.

Pelos termos do MDL, empresas podem investir na redução das emissões de dióxido de carbono em países emergentes e, em troca, recebem compensações que podem ser usadas para o cumprimento de metas de emissões ou vendidas para obtenção de lucro.

A fonte disse que o Brasil se empenha para que as medidas restritivas ao desmatamento sejam enquadradas no MDL, mas a Arábia Saudita, país rico em petróleo, se opõe a essa proposta por temer que as compensações destinadas a áreas florestais possam resultar na perda de valor para aquelas direcionadas a projetos de absorção e armazenamento de carbono.

A Arábia Saudita se esforça para compensar as emissões de carbono de seus poços petrolíferos fora de uso, por isso apresentou um plano de reconhecimento de tecnologia de absorção e armazenamento de carbono, no âmbito do MDL, mas o Brasil tem objeções a essa ideia e expressou sua oposição.

Uma decisão sobre o financiamento da absorção e armazenamento de carbono vem sendo adiada há anos e provavelmente também não se chegará a um acordo sobre isso em Copenhague.

O Brasil abriga 165 projetos, 8,5 por cento do total dos 1.952 registrados até agora no MDL. A Arábia Saudita não tem nenhum.

BLOQUEIO DE REFORMAS

A fonte disse que houve um acordo sobre propostas para simplificar o registro de projetos e o processo de aprovação de compensações, como também um esquema que permita aos responsáveis pelos projetos recorrerem de decisões tomadas pela direção executiva do MDL.

"Isso foi uma surpresa para todo mundo, mas demonstra que há pressão sobre os negociadores do Brasil para que não assumam a posição de bloquear tudo", disse ele.

A fonte disse que o Brasil pôs objeções à elevação do ponto de referência que serviria de padrão de emissões por setores, medida que iria premiar grandes áreas industriais, como a de energia ou aço, se superassem as metas de eficiência energética.

A maioria das reformas sobre as quais permanece o impasse passarão a ser discutidas em um nível ministerial mais elevado na sexta-feira, disse a fonte.

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