Mesmo preocupada com a possibilidade de um novo acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia, a diplomacia brasileira optou por uma postura mais serena durante as reuniões preparatórias para a cúpula da Unasul, em Quito.


A atitude brasileira se contrapôs à de Bolívia e Venezuela, que defendiam a inclusão, na declaração final da cúpula, de uma mensagem de "rechaço" à presença de efetivos militares americanos em território colombiano.

O Brasil, assim como Peru e Chile, não concordaram com a expressão e sugeriram que o assunto fosse tratado "sem estridências". Com isso, a questão das bases militares e uma possível "ameaça" aos países da região ficaram de fora da declaração final.

"Não poderíamos partir de uma base acusatória e muito menos condenatória", disse o embaixador Ênio Cordeiro, subsecretário geral de América do Sul do Itamaraty.


Líderes sul-americanos chegam para encontro da Unasul no Equador / AFP


O governo brasileiro defendeu que não seria "construtivo" adotar medidas mais contundentes sem a presença do presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, que preferiu não ir a Quito. Colômbia e Equador estão com as relações diplomáticas suspensas desde o ano passado.

Na falta de um consenso sobre a inclusão do acordo militar na declaração final, a saída foi marcar uma nova reunião, que deve acontecer no dia 24 de agosto, com ministros de Relações Exteriores e de Defesa dos 12 países-membros.

Réu

Segundo o Itamaraty, mesmo após a conversa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Álvaro Uribe, na última quinta-feira, ainda existem "dúvidas" sobre os objetivos do acordo militar com os Estados Unidos e de seu alcance. "O mais importante é estabelecer um mecanismo de diálogo na Unasul, para que essas questões possam ser esclarecidas", disse o embaixador.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também defendeu a participação da Colômbia nas discussões e disse que o presidente Uribe não pode sentar-se à reunião "como réu". "Isso só será resolvido numa mesa em que as pessoas digam a verdade umas para as outras", acrescentou Lula.

Obama

Lula disse que os Estados Unidos também precisam participar do diálogo e que pretende ligar para o presidente Barack Obama, na próxima semana, para sugerir um encontro.

A sugestão é de que os líderes da Unasul se encontrem com o presidente Obama em Nova York, paralelamente à Assembléia Geral das Nações Unidas, no dia 23 de setembro.

O governo brasileiro pretende propor que o acordo entre Estados Unidos e Colômbia dê algum tipo de "segurança jurídica" aos países da América do Sul. "É preciso que fique explicitado no documento que essa base tem como finalidade pura e simplesmente agir no território da Colômbia", disse Lula.

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