Brasil defenderá crédito para recuperação de deserto, diz Minc

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse, nesta terça-feira, que o Brasil levará para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, em dezembro, a proposta para que a recuperação de áreas de deserto, com a absorção de carbono da atmosfera, contabilize créditos e recursos para os países que adotarem a iniciativa. Hoje se você diminui o desmatamento, pode ganhar crédito, se você substitui uma máquina a carvão, você pode ganhar credito, mas se você recupera o solo degradado, não ganha crédito, declarou.

BBC Brasil |

Ao apresentar a proposta durante a 9ª Conferência sobre Desertificação das Nações Unidas (COP 9), que está acontecendo em Buenos Aires, Minc afirmou que existem técnicas de recuperação deste solo, como adubação verde - que faz o solo, recuperado, "sugar" o carbono da atmosfera e colocá-lo debaixo da terra.

"Antes os países ricos quando falavam da redução das emissões em geral, pensavam basicamente nos combustíveis fósseis e no desmatamento. Mas quando o solo vai sendo degradado de semiárido para árido e de árido para desertificação, é liberada uma quantidade brutal de carbono", disse Minc.

Segundo o ministro, a ideia de créditos para recuperação de deserto foi bem recebida e aplaudida pelos participantes, a maioria de países africanos. Ele também apresentou a proposta nesta terça-feira aos ministros do Meio Ambiente do Mercosul.

Minc afirmou que, com o apoio recebido e a boa reação do plenário, a proposta deverá ser incluída no documento final do COP9.

'Ecosolidariedade'
O ministro destacou que a Conferência sobre Desertificação está em um "estado de indigência" por incluir, principalmente, aqueles países onde existe "vulnerabilidade social e do meio ambiente, como as favelas".

Para o ministro, a recuperação do solo poderia possibilitar o cultivo de alimentos, o que ajudaria a solucionar problemas de países mais vulneráveis à fome. Minc destacou ainda que uma maior produção de alimentos nestes países ajudaria a combater problemas causados pela imigração e destacou o êxodo da comunidade africana para países europeus.

"Hoje as pessoas são jogadas como bola de ping-pong, de um lado para o outro, em busca de seu planeta. Os ricos deveriam se preocupar com isso, (com a recuperação do solo), nem que seja por egoísmo porque são estas pessoas que saem da África e batem na porta dos outros continentes", disse.

Em sua palestra, Minc voltou a destacar a disposição do Brasil em realizar o que chamou de "ecosolidariedade", com a transferência de serviços, tecnologia e conhecimento para os países africanos que queriam recuperar ou proteger sua natureza.

De acordo com ele, a proposta de ajuda inclui o monitoramento das regiões, satélites brasileiros e ainda a ajuda na construção de cisternas para armazenar água da chuva.

Minc afirmou que a proposta provocou o interesse de representantes de três países reunidos na COP9 - Moçambique, Quenia e Burkina Faso.

Copenhague
O ministro disse ainda que o Brasil chegará em Copenhague confirmando que "está fazendo sua parte" com relação às mudanças climáticas.

"Estamos para aprovar, no fim de outubro, a lei que cria o fundo de mudanças climáticas, com 10% do lucro do petróleo. O Brasil será o primeiro país a chegar em Copenhague com um fundo de mudanças climáticas, originado de um combustível fóssil", destacou.

Minc afirmou também que o Brasil terá "o menor desmatamento em 21 anos" e "faz o dever de casa", na expectativa de que os países desenvolvidos, maiores emissores de carbono, também façam a sua parte.

O ministro defendeu que seja criado um fundo, em Copenhague, com recursos dos países ricos, de cerca de US$ 400 bilhões anuais para questões do clima, incluindo, por exemplo, o combate ao desmatamento.

"O Brasil julga que deveria ser constituído um fundo, com recursos dos países ricos, em Copenhague, com a questão da mitigação, redução de emissões, investimentos dos países em desenvolvimento para 'descarbonizarem' suas economias, com energia de baixo carbono e redução das emissões e do desmatamento. E uma parte dos recursos seria para a desertificação", afirmou.

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