Brasil defende biocombustíveis e ressalta papel ecológico

São Paulo, 1 jun (EFE).- O Governo brasileiro assegurou hoje que a produção de biocombustíveis não vai encarecer o preço da matérias-prima agrícola, na abertura da segunda cúpula do etanol, que discutirá durante três dias os desafios dessa indústria perante a crise global.

EFE |

"O etanol não pode ser o bode expiatório do fracasso de organismos internacionais, porque a produção e a utilização do etanol não foram e não serão responsáveis pelos preços das matérias-primas agrícolas", disse a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na inauguração do encontro em São Paulo.

Dilma destacou que, no caso do Brasil, os biocombustíveis "são os grandes responsáveis" por alcançar 46% de uso de energia renovável na matriz energética atual.

A média mundial de uso de energia renovável na matriz energética é de 12%.

"Em 2008, o uso de etanol superou o da gasolina na frota de automóveis e assim constatamos inovações que vão desde o consumo de água na produção até o automóvel 'flex''', ressaltou a ministra.

O Brasil conta com uma frota de mais de sete milhões de automóveis flex, que permitem a combustão com etanol, gasolina e a mistura de ambos. Além disso, o álcool é misturado obrigatoriamente em até 25% da gasolina.

"O etanol é uma prioridade nossa, pois oferece grandes possibilidades econômicas. na criação de empregos e no combate à mudança climática", ressaltou.

Dilma lembrou que há 30 anos, quando foi iniciada a produção de etanol em grande escala no Brasil, se produziam 3 mil litros anuais por hectare cultivado de cana-de-açúcar, um número que hoje já é de 7.500 litros por hectare.

"Nesses 30 anos, com o uso do etanol, deixamos de emitir 850 milhões de toneladas de gás carbônico", assegurou.

Com relação às críticas que o setor produtivo de cana-de-açúcar recebe pelas denúncias sobre trabalho escravo nesse cultivo, Dilma assinalou que "nos próximos dias" o Governo anunciará um protocolo assinado por empresários e trabalhadores que beneficiará 500 mil camponeses.

O segundo congresso mundial de etanol, que segue ao realizado em 2007 também em São Paulo, debate os desafios desse biocombustível em meio à crise global.

Durante três dias, dezenas de representantes dos Governos, do setor privado e especialistas técnicos da área discutirão os alcances e desafios do etanol como fonte de energia renovável e "limpa".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem gravada em vídeo na qual defendeu a produção mundial do etanol e convidou os demais países a assumir a responsabilidade para diminuir os efeitos das emissões de gases a partir dos biocombustíveis.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ratificou seu empenho em ajudar os países latino-americanos a implantar regulação na área de biocombustíveis, enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disse que aumentou a linha de financiamento para o setor.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, comentou que entre janeiro e abril foram desembolsados R$ 3,2 bilhões para o setor, 36% a mais que no mesmo período de 2008.

O governador de São Paulo, José Serra, que também discursou na primeira sessão, apontou que o potencial do setor para gerar energia a partir da biomassa da cana-de-açúcar (etanol de segunda geração) em 2012 é de 56% da capacidade da hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo em operação. EFE wgm/rr

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