San Salvador, 31 out (EFE).- O Brasil, que preside o G20, manifestou, durante a 18ª Cúpula Ibero-Americana, que deve representar uma posição conjunta dos participantes na cúpula de 15 de novembro, em Washington (EUA) para reformar o sistema financeiro internacional.

Os países ibero-americanos querem "mudanças profundas" do sistema financeiro internacional e encomendaram a seus representantes na cúpula do G20 que defendam esta postura conjunta, reivindicando a reforma das instituições atuais.

"Há um consenso que a 'região' ibero-americana fale com uma só voz" nas reuniões internacionais que vão a abordar a reforma do sistema, anunciou o presidente de El Salvador, Elías Antonio Saca, ao apresentar as conclusões da cúpula, finalizada hoje.

Dada a transcendência dessa reunião, alguns chefes de Estado, como o primeiro-ministro Português José Sócrates ou a presidente chilena Michelle Bachelet, defenderam a presença da Espanha, que manifestou desejo de participar, mas não foi incluída.

Apesar do consenso geral de "falar com uma só voz", ficou patente a existência de duas posições diferentes.

Países com Governos de tendências socialistas como Bolívia, Venezuela e Nicarágua, além de Cuba, que vive sob ditadura comunista há quase meio século, alegaram que a crise é o fracasso do capitalismo e não se deve resgatá-lo, mas buscar outro modelo.

Outros países defendem uma reforma do sistema, como a Espanha, cujo presidente do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero, "se pode discutir o grau de reforma ou integração do sistema financeiro internacional, mas é preciso partir do que temos" porque seria muito delicado tentar algo novo.

José Sócrates, que será o anfitrião da próxima Cúpula Ibero-Americana e que governa um país-membro da União Européia, sustentou que se necessita "uma nova ordem internacional", que não deve ser do fim dos anos 40 quando se criaram as atuais instituições financeiras, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM).

"Muitas dessas instituições não têm credibilidade", afirmou o primeiro-ministro português, que sustentou que a "reunião de Washington é da maior importância e temos que dizer ao mundo que as coisas não vão ficar como estavam".

Para Bachelet, é vital evitar um forte impacto da crise financeira sobre "a economia real" que redunde em um "desabe social" e em uma falta de liquidez das empresas, sobretudo as pequenas e médias empresas, que não possam conseguir créditos para seus investimentos.

A preocupação que os mais pobres não sejam os maiores pagadores da crise dos mercados foi manifestada por muitos dos líderes latino-americanos nesta reunião, que tinha como eixo central o tema "Juventude e Desenvolvimento", em uma comunidade que tem 150 milhões de jovens, sendo 47 milhões pobres e muitos, vítimas da violência.

O tema oficial, porém, foi engolido pelo vendaval financeiro e pela proximidade da cúpula convocada pelos Estados Unidos em Washington para reestruturar o sistema financeiro.

Os participantes aprovaram dois documentos, uma Declaração de 41 pontos e o chamado "Compromisso de San Salvador", centrados na Juventude e que contempla medidas para ajudar os jovens mais desfavorecidos a ter acesso à educação e melhores condições de vida.

EFE mlg/jp

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