O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que o Brasil está disposto a contribuir com recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI) para que o órgão ajude os países pobres a combater a crise financeira internacional.


A declaração foi feita a jornalistas dentro do trem Eurostar, que transportou a comitiva presidencial de Paris a Londres, onde será realizada nesta quinta-feira a reunião de cúpula do G20, o grupo que reúne as maiores economias do mundo e os principais países emergentes.

"O Brasil não é um país pobre e pequeno. O Brasil é um país grande. O que faltava para ele era respeito. Como agora ele se autorrespeita, poderemos fazer as coisas com mais igualdade de condições", disse o presidente.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que integra a comitiva presidencial, não revelou o valor que o Brasil estaria disposto a fornecer, argumentando que o país precisa analisar "os mecanismos que estão sendo pensados para o aporte de recursos".

"O Brasil está disposto a colaborar, mas temos de ver qual é a melhor maneira e nos adaptarmos às novas regras do jogo. São novas regras, para que o Brasil seja também protagonista".

Emergentes

O ministro insistiu que o dinheiro deverá ser alocado para os países emergentes, preferencialmente. A alocação de novos recursos para o FMI e para o Banco Mundial é um dos pontos que serão tratados na cúpula do G20 como uma das principais soluções para a crise global.

"As perspectivas, acho, são bastante promissoras. Estamos falando em algo próximo a US$ 1 trilhão para alocações. Não é pouca coisa", afirmou o ministro, em uma indicação de que esta pode ser a cifra que será acordada entre os líderes do G20.

Em março, durante uma reunião preparatória para a cúpula desta quinta-feira, Mantega e os demais ministros das Finanças dos BRICs (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) condicionaram o envio de recursos adicionais ao FMI a uma reforma da instituição, a fim de que os quatro países tenham mais influência nela.

Posição do Brasil

O presidente Lula disse que as negociações na cúpula do G20 serão duras, considerando que os países do grupo não concordam em todos os pontos.

"O que não (se) pode é imaginar que essa reunião pode terminar sem decidir nada, porque eu penso que ela começa a cair na descrença da sociedade e o que está acontecendo no mundo não pode esperar uma reunião daqui a mais quatro meses", disse o presidente.

AP
Lula encontrou Sarkozy, presidente na França, nesta quarta

Lula encontrou Sarkozy, presidente na França, nesta quarta

As semanas que antecederam o G20 foram marcadas por divergências entre os Estados Unidos e a Europa. Enquanto um lado defende o lançamento de pacotes de estímulo à economia, a Europa cobra uma maior regulamentação do sistema financeiro.

O presidente Lula afirmou que o Brasil não está mais próximo nem da posição americana ou da europeia sobre as melhores saídas para a crise global.

"Não tem modelo europeu e modelo americano. Precisamos das duas coisas. Fazer o sistema financeiro voltar a funcionar para irrigar o setor produtivo e o crédito e controlar os paraísos fiscais", afirmou o presidente.

Lula disse que a primeira participação do presidente americano, Barack Obama, em um fórum multilateral representa um momento de "grande decisão".

"Todo mundo está com expectativa de saber o que o Obama vai dizer ou não, até porque todo mundo sabe que ele tem, por serem os Estados Unidos o país mais rico do mundo, mais responsabilidade (na crise)", afirmou o presidente.

Após chegar a Londres, Lula participou de uma recepção oferecida pela rainha Elizabeth 2ª. Em seguida jantou, juntamente com outros chefes de Estado com o primeiro-ministro Gordon Brown em Downing Street, sede do governo britânico.

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