Brasil considera desnecessário plano de retirada no Japão

Itamaraty diz que situação está 'sob controle' e que são candidatos à repatriação cidadãos 'sem dinheiro' ou que 'perderam tudo'

Fred Raposo e Adriano Ceolin, iG Brasília |

O governo federal não vê necessidade de realizar um plano de repatriação de brasileiros do Japão por causa do acidente nuclear na região de Fukushima . Segundo o Itamaraty, 777 brasileiros estavam localizados em áreas afetadas antes do terremoto seguido de tsunami de 11 de março.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) é contra, por ora, alguma medida para trazer brasileiros que moram no Japão de volta ao País. “Estamos acompanhando a evolução dos problemas. Nesse momento, é precipitado falar em retirada”, avaliou o diretor da área de segurança da CNEN, Laércio Vinhas.

Países da Europa já cogitam tomar medidas para repatriar cidadãos. A França, por exemplo, preparou dois aviões para transportar cidadãos do país. Outras nações, como Iraque e Angola, decidiram fechar suas embaixadas no Japão.

A situação do Brasil é complicada por causa da quantidade de brasileiros que vivem no Japão: cerca de 254 mil, de acordo com números oficiais. O Itamaraty diz, no entanto, que é “impossível saber” quantos deixaram as regiões de risco.

Na visão do governo brasileiro, a crise nuclear está “sob controle” e não há previsão de que a situação se agrave. Segundo o diretor do CNEN, “não se faz necessário evacuar o Japão por razões radiológicas”. “Agora não estou levando em consideração problemas como falta de alimentação e água”, afirmou Vinhas.

Segundo a assessoria de imprensa do ministério, são candidatos à repatriação somente aqueles que “perderam tudo” ou “não têm dinheiro” para retornar ao Brasil. O Itamaraty ressalta que há casos de repatriação em análise, mas não soube informar quantos.

O governo brasileiro assinala ainda que trabalha em conjunto com autoridades japonesas para realocar cidadãos localizados em “áreas complicadas” – onde há dificuldade de comprar alimentos ou sem aquecimento, por exemplo – para outras regiões no país.

Nova missão

Na terça-feira, segundo o Itamaraty, uma operação que contou com apoio do consulado brasileiro transportou 25 pessoas para a periferia de Tóquio. Na sexta-feira à noite, uma nova missão com dois ônibus, capazes de transportar 48 pessoas cada, levará brasileiros de Sendai para a Província de Saitama.

O ministério explica que, embora os aeroportos japoneses estejam operando em capacidade máxima, os brasileiros que se sentirem inseguros devem comprar passagens de avião por conta própria. A recomendação do governo é para que se evitem viagens para o Japão.

AP
Mulher segura bebê em abrigo em Ofunato, no nordeste do Japão
Segundo o Itamaraty, a embaixada em Tóquio e os três consulados brasileiros (Tóquio, Hamamatsu e Nagoia) funcionam normalmente e nenhum funcionário do corpo diplomático deixou o país. O ministério informa que, em dois dias, recebeu 3,1 mil comunicações, entre e-mails e telefonemas.

Cartilha

Os principais serviços prestados até o momento, segundo o Itamaraty, são de traduzir informações do japonês para o português, informar pessoas sobre como proceder em casos de emergência e como fazer para localizar desaparecidos.

O site do CNEN divulgou uma “cartilha para brasileiros no Japão”. O documento dá orientação para pessoas que estejam em áreas de risco de contaminação. Especificamente sobre remoção de famílias sobre suas casas a orientação é a seguinte: “Mantenha a calma. O tempo de remoção foi planejado pelas autoridades para que aconteça sem correrias. Leve o essencial: documentos, dinheiro, roupas, celulares, fotos e outros pequenos objetos de valor pessoal.”

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