Brasil considera acordo militar com os EUA como assunto soberano da Colômbia

Brasília, 6 ago (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje que o acordo militar negociado entre Colômbia e Estados Unidos é um assunto soberano colombiano, sempre e quando não afetar os demais países da região.

EFE |

"Reiteramos que o acordo é uma matéria exclusiva da soberania colombiana, sempre e quando se limitar ao território colombiano", disse Amorim aos jornalistas ao comentar a reunião de hoje entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega da Colômbia, Álvaro Uribe.

Uribe conversou hoje com Lula e com outros membros do Governo brasileiro durante cerca de duas horas para explicar o acordo que seu país negocia com Washington, por meio do qual militares americanos viriam a usar sete bases militares colombianas em operações contra o narcotráfico.

A reunião com Lula foi a última de uma viagem por sete países que Uribe começou na terça-feira para falar sobre os limites do possível acordo e que o levou a Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil.

"Interpretamos como um gesto muito positivo", disse Amorim sobre a decisão de Uribe de explicar o acordo. Segundo o ministro, a reunião de hoje em Brasília transcorreu "em um clima de diálogo e de entendimento".

Amorim disse que essa conversa "terá continuidade" ao comentar que haverá outros diálogos com a Colômbia e com os EUA.

Ontem, o assunto das bases militares foi debatido em Brasília durante reunião entre o ministro e o general reformado James Jones, assessor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Para Amorim, depois da viagem sul-americana do presidente colombiano, se percebe que há uma "transparência maior" em relação ao uso de bases colombianas por militares americanos.

O chanceler disse ter mencionado na reunião a intenção brasileira de pedir garantias formais a Washington e Bogotá de que a presença militar americana se limitará ao território colombiano.

Lula insistiu em que a intenção de convocar o Conselho Sul-americano de Defesa na próxima cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), marcada para o dia 10 em Quito, é para que essa instância "sirva para criar um clima de confiança e para esclarecer algumas questões", relatou Amorim. EFE ed-joc/bba

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