Brasil confirma negociação para compra de 36 caças da França

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira que o governo brasileiro decidiu entrar em negociação com a empresa francesa Dessault para a aquisição de 36 aviões de combate. O anúncio foi feito em Brasília, ao lado do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que está em visita ao país.

BBC Brasil |

Como uma das contrapartidas, a França se comprometeu a adquirir dez aeronaves de transporte militar fabricadas pela brasileira Embraer.

Questionado sobre os detalhes do acordo, Lula disse que ainda precisava discutir "pormenores" com seus ministros. O negócio é estimado em US$ 4 bilhões.

Sarkozy também não deu detalhes e disse que essas negociações "levam meses" até se concretizarem em um acordo definitivo.

"Foi assim com os submarinos. O chefe de Estado toma uma decisão e, em seguida, os representantes de cada país levam meses para chegar a um acordo", disse o líder francês.

A princípio, a visita de Sarkozy ao Brasil envolvia apenas a formalização de um contrato para construção de cinco submarinos (incluindo um movido a energia nuclear) e 50 helicópteros em solo brasileiro, mas com tecnologia francesa, no valor de 8,6 bilhões de euros.

Licitação
O governo brasileiro não informou se a empresa sueca Saab e a americana Boeing estão fora da disputa. Ambas eram concorrentes da Dessault na licitação para a compra dos caças, batizada pelo governo de programa FX-2.

O chanceler Celso Amorim disse "não ter detalhes jurídicos". "Não sei se, do ponto de vista legal, a licitação está terminada", afirmou.

Segundo o ministro, a decisão de se iniciar uma negociação com a Dessault "não se aplica aos outros dois concorrentes".

Os preços e condições da compra serão definidos a partir de agora, durante as negociações com a empresa francesa.

Contrapartidas
O presidente Lula disse que representantes dos dois governos chegaram a a um acordo após conversarem até as duas da manhã. Nenhum dos ministros da cúpula militar quis dar entrevistas.

O assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse que os dois lados apresentaram "novos elementos" durante a reunião da madrugada, o que permitiu a decisão de começar a negociação.

Segundo Garcia, a venda de aviões brasileiros à França é apenas "parte" das contrapartidas oferecidas pelo país europeu.

Em entrevista à imprensa francesa, no domingo, o presidente Lula chegou a afirmar sua "preferência" pela França na licitação dos caças, por ter permitido a transferência de tecnologia ao Brasil.

Pré-sal
O presidente Lula disse que a parceria estratégica com a França "está se consolidando" e que não se trata apenas de uma "troca comercial".

"A França não quer só vender para o Brasil", afirmou. "Queremos criar juntos e, se for possível, vender juntos."
Lula citou a Amazônia e as riquezas do pré-sal para justificar os novos acordos na área de defesa e acrescentou que o objetivo é "cuidar do território".

"O petróleo já foi motivo de muitas guerras, e não queremos nem guerra, nem conflito", disse Lula.

De acordo com as previsões da Marinha brasileira, o primeiro submarino brasileiro com tecnologia francesa deve ficar pronto em 2015.

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