Brasil confia em acordo entre UE e Mercosul para reunião de maio

Madri, 15 fev (EFE).- O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, se mostrou hoje convencido de que a União Europeia (UE) e o Mercosul podem assinar um acordo, embora não definitivo, na cúpula UE-América Latina que será realizada em maio em Madri.

EFE |

"Acho que podemos de fato ter um acordo que possa ser assinado, que não seja simplesmente uma declaração política, na ocasião da reunião de Madri", disse Amorim, depois da reunião ministerial entre UE e Brasil realizada na capital espanhola.

"Acho que é possível. Não sei se será o acordo final", ressaltou o chanceler. Para ele, "há uma possibilidade muito concreta de avançar no acordo Mercosul-UE".

"Os últimos contatos foram positivos", acrescentou Amorim, para quem o "grande desafio" é conseguir "um acordo ambicioso".

O chanceler brasileiro fez as declarações em entrevista coletiva junto a Katherine Ashton, Alta Representante para a Política Externa e de Segurança Comum da União Europeia, e a Miguel Ángel Moratinos, ministro de Exteriores da Espanha, país que neste semestre exerce a Presidência rotativa da UE.

O relançamento das negociações para conseguir um acordo comercial entre o bloco europeu e o Brasil foi um dos principais assuntos tratados.

O diálogo para fechar o acordo foram paralisadas em 2004 por divergências em algumas áreas, principalmente na agrícola, mas o Governo espanhol faz esforços para impulsionar novamente o processo.

Amorim admitiu que "é uma negociação talvez mais complexa que outras passadas com outros países latino-americanos, porque os países do Mercosul também são grandes litigantes em matéria de agricultura, um tema delicado para a UE".

Segundo o ministro, os membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, e Uruguai, com a Venezuela em processo de adesão) "são também países relativamente de alto grau de industrialização, o que põe também desafios especiais".

"Mas os avanços que houve nas conversas e a grande disposição política da Presidência europeia e da Presidência do Mercosul exercida pela Argentina, nos dão a segurança que é realmente possível avançar", acrescentou o chanceler.

Do lado europeu, Ashton declarou-se "satisfeita com os progressos" das negociações atuais, e ressaltou que "a relação entre a UE e o Brasil é uma das mais importantes e dinâmicas".

Como anfitrião da reunião, o chanceler espanhol Moratinos expressou sua "grande satisfação" perante "o que será uma boa relação Mercosul-UE graças ao papel e à liderança que o Brasil pode apresentar".

Ela ressaltou a "grande ambição" da Presidência espanhola da UE em "reforçar as relações" com a América Latina e com "atores globais", como o Brasil.

Os ministros analisaram também a crise gerada pelo programa nuclear do Irã, e Ashton reconheceu que o Brasil, "como potência global", tem um "papel-chave" a desempenhar na resolução do caso.

O Brasil e o Irã mantêm boas relações diplomáticas desde que, em novembro passado, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, visitou Brasília.

Frente à postura mais dura dos EUA, favorável a eventuais sanções, Amorim defendeu a política do Governo brasileiro em favor do diálogo como via de resolução.

Também foram negociados outros assuntos como a situação do Governo hondurenho de Porfirio Lobo, ao o Brasil continua sem reconhecer; o trabalho de reconstrução do Haiti após o terremoto que devastou o país em 12 de janeiro; e a ameaça da mudança climática.

Os ministros examinaram, além disso, os preparativos da cúpula UE-América Latina programada para o mês de maio, em Madri.

Com a reunião, a UE e o Brasil ativaram hoje o diálogo político de alto nível previsto na Associação Estratégica criada em Lisboa em 4 de julho de 2007, data da primeira cúpula bilateral.

Bruxelas considera o Brasil um parceiro estratégico por sua condição de potência emergente cujo peso na América Latina e no mundo cresceu nos últimos anos.

Além disso, a União Europeia é o maior parceiro comercial do Brasil e o maior investidor no país sul-americano, pois as trocas comerciais com a UE representam 22,5% de todo o comércio exterior brasileiro, segundo dados oficiais. EFE pa/sa

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