Brasil compra da França helicópteros e submarinos

O governo brasileiro assinou com a França, nesta terça-feira, acordos que prevêem a aquisição de 50 helicópteros e cinco submarinos, a serem construídos em parceria com empresas e a Marinha brasileiras. Os acordos fazem parte do plano do governo brasileiro de modernizar as Forças Armadas, seguindo a Estratégia Nacional de Defesa, lançada na última quinta-feira.

BBC Brasil |

Segundo o Palácio do Planalto, a França foi escolhida por permitir que o conhecimento tecnológico seja transferido para a indústria local.

O negócio foi estimado em R$ 28 bilhões (8,6 bilhões de euros) para um período que deve passar de duas décadas. Esse número foi apurado por correspondentes franceses com supostas fontes do governo francês, mas não foi confirmado pelo governo brasileiro. Segundo o ministro da Defesa Nelson Jobim, apenas o valor da compra dos helicópteros, de R$ 5,9 bilhões (1,8 bilhão de euros), está confirmado.

Do valor total, ainda segundo as fontes citadas pela imprensa francesa, a maior parte do dinheiro, cerca de R$ 19,8 bilhões (6 bilhões de euros) iria para empresas francesas e o restante, para empresas brasileiras que devem trabalhar em conjunto com os franceses, especialmente na construção dos submarinos.

'Brasil forte'
Esse é o segundo grande contrato no setor de Defesa assinado pelo Brasil em menos de um mês. No final de novembro, durante a visita do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o governo oficializou a compra de 12 helicópteros produzidos naquele país.

Segundo o ministro da Defesa brasileiro, outros três acordos estão em estudo com a França. Além da licitação para compra de novos caças, da qual a França é uma das concorrentes, o governo brasileiro estuda a possibilidade de desenvolver projetos conjuntos para treinamento de tropas brasileiras e monitoramento do território brasileiro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil "precisa assumir sua grandeza" e que precisa investir em sua capacidade militar. "Não pensando em atacar, mas em se defender", disse.

"Um Brasil poderoso será elemento de estabilidade para o mundo", disse o presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Jobim disse que a frota de helicópteros deverá ficar pronta no segundo semestre de 2010. A montagem será feita em Minas Gerais, na fábrica da Helibras, empresa subsidiária da francesa Eurocopter.

A França também vai auxiliar a Marinha brasileira na construção de quatro submarinos convencionais e um quinto, movido a energia nuclear. Também foi assinado um acordo para a construção de um estaleiro e de uma base navais, que deverá ficar pronto em quatro anos. A entrega do primeiro submarino está prevista para daqui a 20 anos.

"A tecnologia nuclear está totalmente dominada. Agora vamos completar nosso programa nuclear com um reator, que será produzido especificamente para o submarino", disse o almirante da Marinha, Júlio Soares de Moura Neto.

De acordo com Neto, o planejamento da Marinha para o monitoramento da costa brasileira exige 12 submarinos convencionais. "Já temos cinco e estamos adquirindo mais quatro, somando nove. No pacote atual, quatro já é um número razoável", disse.

Imigração
Além de questões relacionadas à defesa, os dois presidentes também discutiram a questão de imigração. Sarkozy disse que a Europa "continua aberta" aos imigrantes e que o continente é o "mais aberto do mundo".

A resposta foi dada a uma jornalista francesa, que questionou o pacto assinado em outubro, entre os países do bloco. Conhecido como Imigração Seletiva, o acordo prevê maior restrição à entrada de imigrantes que não se enquadrarem a determinadas condições.

"Queremos receber mais estudantes, cientistas, chefes de empresa. O que não concordamos é com as redes que exploram a miséria no mundo", disse o presidente francês, logo após a cerimônia para assinatura de acordos bilaterais com o Brasil, no Rio de Janeiro.

Ele disse, no entanto, que a imigração é "um assunto sensível em qualquer lugar do mundo", e que conversou "longamente" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o tema.

Sarkozy disse que a União Européia tem características que exigem uma política de imigração mais específica. O presidente referia-se ao fato de o bloco permitir o livre acesso entre 27 países.

"Quem recebe esse imigrante o recebe em outros países. A pessoa pode passar livremente de um país a outro", disse o líder francês.

O presidente Lula disse que, durante reunião ontem com Sarkozy e com o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, reivindicou a criação de um "diálogo de alto nível" entre Brasil e União Européia, para resolver possíveis problemas relativos a imigração.

"Tivemos problemas com a Espanha e resolvemos", disse o presidente brasileiro.

Segundo Lula, "é necessário que se compreenda que o tema tem dimensões políticas diferenciadas, dependendo do país e do momento". Para o presidente brasileiro, a questão ganha dimensão maior em época de crise econômica.

"Como se trata do direito de ir e vir, dos direitos humanos, o importante é que a gente não perca de vista a necessidade de manter um diálogo de alto nível, para resolver os problemas caso a caso".

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