Brasil começa a recolher destroços do Airbus; ato no Rio lembra vítimas

Rio de Janeiro, 4 jun (EFE).- A Marinha brasileira começou hoje a recolher hoje os possíveis destroços do Airbus A330-200 da Air France, que há quatro dias caiu no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo.

EFE |

Duas boias e um suporte de aproximadamente 2,5 metros quadrados utilizado para a acomodação de bagagens (pallet) foram as primeiras partes recolhidas numa área do Atlântico de aproximadamente 220 quilômetros de raio.

Nem os três navios mercantes que ficaram na região por três dias - e que hoje seguiram seu rumo - nem as três embarcações militares que assumiram as buscas avistaram vestígios de corpos ou de sobreviventes da tragédia.

Embora a Marinha admita que as condições meteorológicas na região sejam normais, as correntes e as ondas do mar dificultam a visibilidade e espalham ainda mais os pedaços da aeronave.

As peças retiradas nesta quinta-feira foram inicialmente avistadas por um avião Hércules da FAB, que depois orientou o navio "Constituição" até o ponto exato em que os destroços se encontravam.

O recolhimento dos objetos no mar foi feito por um helicóptero Lynx, que decolou do heliporto da fragata. Segundo a Marinha, toda a operação vai ser orientada pelas nove aeronaves da FAB que sobrevoam a região e pelos dois aviões de apoio enviados por Estados Unidos e França.

A FAB informou esta manhã que seus pilotos avistaram novos pedaços do Airbus. A descoberta fez subir para 15 o número de pontos, separados entre si por mais de 100 quilômetros, em que foram localizadas partes internas e externas da aeronave.

A área de operações fica próxima às ilhas de São Pedro e São Paulo, formações rochosas desabitadas e localizadas a 704 quilômetros de Fernando de Noronha e a 1.296 da cidade de Recife.

Dos trabalhos marítimos de hoje, também participaram o navio-patrulha "Grajaú" e a corveta "Caboclo", que respondem à fragata "Constituição".

Outra fragata brasileira deve chegar à região no sábado. No dia seguinte, será a vez de um navio-tanque se unir ao grupo.

Segundo o tenente-brigadeiro Ramón Borges Cardoso, chefe do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da FAB, todo o material recolhido será inicialmente levado para Fernando de Noronha. Depois, as peças serão transportadas até Recife, onde serão colocadas à disposição dos investigadores franceses.

Passados quatro dias desde o sumiço do Airbus, a cidade da qual partiu o voo da Air France homenageou às 228 vítimas do acidente numa cerimônia ecumênica realizada na Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro.

No ato, estiveram presentes familiares e amigos das vítimas, além do ministro de Assuntos Exteriores da França, Bernard Kouchner, e seu colega brasileiro, Celso Amorim, que representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pouco antes da homenagem, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou que, como a tragédia não foi natural e o avião conseguiu enviar notas técnicas sobre problemas a bordo, tanto a Air France como a fabricante Airbus terão muito o que explicar sobre as causas do acidente. EFE cm/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG