Brasil cai duas posições em ranking de negócios

O Brasil caiu duas posições no ranking Fazendo Negócios 2010 (Doing Business 2010) e ocupa agora a 129ª posição na lista de 183 países, segundo divulgou nesta terça-feira o Banco Mundial. O relatório avalia a facilidade de se fazer negócios em cada país, levando em consideração as regulamentações que se aplicam a uma empresa durante seu ciclo de vida, incluindo abertura, comércio (inclusive exterior), contratação de funcionários, compra e construção da sede, pagamento de impostos e fechamento da firma, entre outros fatores.

BBC Brasil |


Os primeiros colocados da lista são, respectivamente, Cingapura, Nova Zelândia, Hong Kong, China e Estados Unidos. Na América do Sul, o Brasil ficou atrás da Colômbia, Chile, Peru, Uruguai, Paraguai e Argentina.

O Brasil se destaca também por ser o país onde mais se gasta tempo para o pagamento de impostos entre os 181 avaliados. Ao todo, são necessárias 2.600 horas por ano para que uma empresa média recolha as informações, calcule, prepare os documentos e pague seus impostos.

Em comparação, na América Latina o tempo médio gasto no processo é de 385,2 horas, e nos países da OCDE, de 194,1 horas. O segundo país onde mais se gasta tempo para pagar impostos é a República dos Camarões, onde são necessárias 1.400 horas por ano.

Na Suíça gasta-se 63 horas por ano, e nos Emirados Árabes Unidos são necessárias apenas 12 horas.

No Brasil, 69,2% dos lucros são usados para pagar impostos, em comparação com 48,3% na América Latina e Caribe e 44,5% nos países da OCDE.

Reformas

O documento do Banco Mundial também avalia as reformas econômicas realizadas pelos países para facilitar a operação de empresas.

Neste ano, segundo o Banco Mundial, um número recorde de 131 economias reformaram a regulamentação de negócios, o que representa mais de 70% dos países avaliados.

Ao todo, o relatório registrou 287 reformas de junho de 2008 a maio de 2009, um aumento de 20% em comparação ao ano anterior.

Este é o maior número de reformas desde que o relatório começou a ser produzido, em 2004.

Segundo o Banco Mundial, o Brasil realizou reformas que facilitam a abertura de uma empresa, ao retirar a exigência de passar por inspeção e obter licença da brigada de bombeiros.

No Brasil, no entanto, ainda são necessários 16 procedimentos para a abertura de uma empresa, em comparação com 9,5 procedimentos, em média, na América Latina e Caribe, e 5,7 na OCDE.

O Brasil também apresenta mais dificuldades na hora de contratar funcionários (78, em uma escala de 0 a 100), em comparação com 34,4 na América Latina e Caribe e 26,5 na OCDE.

No quesito exportação, os empresários brasileiros precisam preencher mais documentos (oito, em comparação com 6,8 na América Latina e Caribe e 4,3 nos países da OCDE), mas o processo demora apenas 12 dias, em comparação com 18,6 na América Latina e Caribe. O custo também é mais alto.

O documento analisa as facilidades de se abrir, manter e fechar uma empresa em 183 economias, afirmando que esta facilidade está diretamente relacionada à criação de oportunidades a empresários - ou aspirantes a - de todas as classes, gêneros e origens étnicas, e, em última instância, ao combate à pobreza.

"Pequenas e médias empresas têm papel chave na competitividade, crescimento e criação de empregos, principalmente nos países em desenvolvimento. Mas nessas economias, até 80% da atividade econômica ocorre no setor informal. As empresas podem ser impedidas de entrar no setor formal por conta da burocracia e regulamentação excessiva", afirma o relatório.

"Onde a regulamentação é pesada e a competitividade é limitada, o sucesso tende a depender mais de quem você conhece, do que das coisas que você precisa fazer. Mas onde a regulamentação é transparente, eficiente e implementada de maneira simples, se torna mais fácil para aspirantes a empresários, independentemente de suas conexões, operar dentro da lei e se beneficiar das oportunidades e proteções que a lei oferece."

O relatório, no entanto, não mede todos os aspectos do ambiente empresarial de importância para as empresas e os investidores, como a segurança, a estabilidade macroeconômica, a corrupção, nível de aptidões ou a solidez dos sistemas financeiros.

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