Brasil busca alianças estratégicas para deixar de comprar armas

Rio de Janeiro, 14 abr (EFE).- O Brasil procura associações estratégicas que ajudem a desenvolver uma tecnologia bélica própria com o objetivo de deixar de ser um país comprador de armamento, disse hoje o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

EFE |

"Temos uma premissa: o Brasil não é um comprador de material de defesa. Propomos associações estratégicas para desenvolver nossa tecnologia", explicou Jobim a jornalistas, após a abertura da feira "Latin America Aerospace & Defense", que acontece até sexta-feira no Rio de Janeiro.

O ministro afirmou que o Brasil deseja melhorar a tecnologia em três frentes, a cibernética, a espacial e a nuclear, e, por isso, busca associações com países que transfiram estas tecnologias para construir as peças em território nacional.

Em dezembro, como lembrou Jobim, o Brasil assinou um acordo deste tipo com a França para fabricar, no país, um submarino de propulsão nuclear, outros quatro submarinos convencionais e 50 helicópteros Eurocopter.

Jobim assegurou que o Brasil deseja estender os acordos de colaboração em matéria de tecnologia bélica com as nações vizinhas, através do Conselho Sul-americano de Defesa.

Além disso, destacou que o país "não quer cair no nacionalismo econômico" em matéria de desenvolvimento de tecnologia bélica, pelo que poderia abrir vias de cooperação para colaborar com as nações da região na fabricação de armamento.

O ministro disse que o plano estratégico de modernização das Forças Armadas, lançado em dezembro, não corre risco de perder o financiamento por causa da crise, já que foi pensado "a médio e longo prazo".

Além disso, explicou que o Ministério da Defesa vai promover a integração do desenvolvimento de novas tecnologias e unificar as políticas de compra dos três Exércitos para "ganhar escala", cortar custos na aquisição de componentes e "ter presença internacional".

O Brasil tem interesse em desenvolver aeronaves de transporte, veículos blindados e fragatas para proteger as "grandes riquezas" de petróleo, que acredita-se que exista a 200 milhas do litoral sudeste do país, segundo o político.

Jobim assegurou que a Marinha utilizará uma tática de dissuasão na zona para que "qualquer" um que tente tomar o controle das regiões petrolíferas do Atlântico saiba que a tentativa vai fracassar. EFE mp/db

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