Brasil assume Mercosul preocupado com crises energética e alimentícia

Natalia Kidd Tucumán (Argentina), 1 jul (EFE).- O Brasil assumiu hoje a Presidência semestral do Mercosul com o objetivo de propiciar uma frente comum diante da crise alimentícia e energética no mundo, mas sem descuidar da agenda interna pendente do bloco.

EFE |

Ao assumir a titularidade do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu diante dos demais líderes na necessidade de se tomar precauções para evitar que a crise por escassez de alimentos e de recursos energéticos cause impacto na região.

"Possivelmente a questão dos alimentos seja mais séria do que nós podemos compreender", advertiu Lula, que se mostrou satisfeito pelo consenso alcançado com seus colegas para criar um grupo de trabalho para analisar possíveis políticas comuns para enfrentar o problema, em uma proposta feita pela Venezuela.

Lula também pediu aos presidentes do bloco integrado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e que tem a Venezuela em processo de adesão, que se reforce o "grupo de alto nível" sobre temas de energia para que surjam "propostas concretas".

Horas antes, durante o plenário da cúpula do Mercosul, o presidente brasileiro criticou duramente os Estados Unidos e a Europa por não reconhecerem publicamente a crise no início e que agora ela ameaça atingir os países sul-americanos.

"O que está se tornando grave é que há muita coincidência entre a crise da especulação imobiliária nos EUA e as perdas que envolveram os bancos europeus e que em nenhum momento assumiram responsabilidades. Parecia que não houve crise e que os Bancos Centrais europeus não perderam dinheiro", disse Lula.

Segundo Lula, apesar do que se esperava, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) "não fez um ajuste na taxa de juros, pois possivelmente os EUA querem utilizar o custo baixo do dólar para compensar seu déficit comercial".

"Temos que ter cuidado para (evitar) que uma crise que está a quilômetros se transforme em uma crise nossa", advertiu o chefe de Estado brasileiro.

"Temos que discutir estas questões, porque nossos países vão receber os custos da inflação dos alimentos, com uma crise que depois geram missões do Fundo Monetário Internacional. Já conhecemos os resultados: recessão, desemprego e diminuição na qualidade de vida das pessoas", acrescentou Lula.

Apesar da importância que Lula deu às questões alimentícia e energética, ele prometeu priorizar assuntos internos relevantes do Mercosul durante sua Presidência semestral.

Depois que na cúpula de Tucumán foram aprovadas iniciativas como um programa de integração produtiva e a constituição de um fundo de ajuda a pequenas e médias empresas, o país se comprometeu a "avançar rapidamente" na eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC), o que requereria a aprovação de um código alfandegário único.

Além disso, o Brasil vai promover a extensão ao resto do bloco do mecanismo que tem com a Argentina, a negociação com as moedas locais no lugar do dólar, o que para Lula é "um passo necessário para resguardar a soberania financeira" do Mercosul.

O Brasil ainda se comprometeu a "redobrar esforços" para concluir o processo de adesão plena da Venezuela ao Mercosul, ainda pendente de aprovação dos Parlamentos brasileiro e paraguaio.

Na agenda externa do bloco, o Mercosul tem várias negociações comerciais abertas ou em fase de análise, mas o Brasil aponta como prioridade o diálogo com países da América Central.

Lula destacou que na próxima cúpula do Mercosul, que será realizada em Salvador, haverá um encontro com o Sistema de Integração Centro-Americano (Sica), composto por Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Belize e República Dominicana, como estado associado).

Chamou a atenção o fato de o presidente Lula não dedicar nenhuma palavra à estagnada negociação entre o Mercosul e a União Européia, que desde 1999 tentam um ambicioso acordo de associação política e comercial. EFE nk/rb/rr

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