Brasil, Argentina e Venezuela reforçam integração regional

Buenos Aires, 4 ago (EFE).- Brasil, Argentina e Venezuela deram hoje um novo sinal de unidade com uma minicúpula presidencial em Buenos Aires na qual se propôs relançar o chamado Gasoduto do Sul e incorporar na agenda regional o tema do transporte.

EFE |

Em um encontro que durou pouco mais de meia hora na sede da Chancelaria, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos chefes de Estado da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez, concordaram em voltar a se reunir no dia 6 de setembro em Pernambuco.

O encontro de hoje foi qualificado de "muito positivo" pelas poucas vozes oficiais que informaram sobre o conteúdo da reunião, entre eles Chávez.

"É o momento de retomar o tema do Gasoduto do Sul, que une Caracas à Buenos Aires, que tinha sido abandonado durante um tempo", ressaltou o presidente venezuelano em declarações à agência estatal argentina "Télam".

Chávez falou também da necessidade "de ter conteúdo, com projetos tangíveis" à integração entre os três países.

"Concordamos sobre a necessidade de criar empresas com capital dos três países em setores como o petroquímico e o energético", defendeu.

Segundo Chávez, os três governantes concordaram sobre a necessidade de criar "empresas (...) multiestatais, em gás, petroquímica, e outros setores", um tema que será aprofundado na reunião de Pernambuco.

No encontro também foi mencionada a possibilidade de criar uma ferrovia do sul, que ligue Buenos Aires à Caracas.

A embaixadora argentina em Caracas, Alicia Castro, ressaltou a importância de que o tema do transporte tenha voltado a ingressar na agenda regional.

"A possibilidade de que as Aerolíneas Argentinas (controlada pelo grupo espanhol Marsans) fique em mãos do Estado daria a possibilidade de fazer uma aliança com a linha aérea estatal venezuelana (Conviasa) e com uma empresa aérea (...) designada do Brasil, de modo a ter nossas Aerolíneas del Sur", disse à imprensa.

O chanceler argentino, Jorge Taiana, explicou que os presidentes também tiveram a possibilidade de "falar sobre a situação regional e da União de Nações Sul-americanas (Unasul)".

O chanceler Celso Amorim chamou o encontro de "muito positivo" e ressaltou os esforços para promover a integração feita pelos Governos dos três países.

A mini-cúpula presidencial não estava na agenda oficial dos presidentes e, inclusive, rumores indicavam que seria suspensa porque Chávez chegou atrasado à sede da Chancelaria, onde esperavam Cristina e Lula.

Lula tinha chegado no domingo à Buenos Aires, à frente de uma delegação integrada por boa parte de seu gabinete e cerca de 300 empresários.

Lula e Cristina presidiram hoje o maior fórum empresarial binacional convocado em mais de 20 anos de integração bilateral, no qual solicitaram aos homens de negócios que impulsionassem a integração e aprofundassem "a aliança produtiva" entre Argentina e Brasil.

Mais tarde, e antes que Chávez se unisse a eles, Lula e Cristina se reuniram para abordar a situação dos países emergentes perante a situação mundial e para analisar projetos de cooperação.

Sobre isso, a ministra argentina de Defesa, Nilda Garré, confirmou que uma delegação da Embraer visitará a Argentina na próxima semana para avaliar a possibilidade de produzir no país equipamento para um avião de transporte.

A viagem de Lula aconteceu depois das posições divergentes do Brasil e da Argentina sobre a abertura de mercados industriais durante as frustradas negociações da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Depois da reunião trilateral, Lula retornou ao Brasil e Chávez acompanhou Cristina a um ato nos arredores de Buenos Aires, no qual esteve presente o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner (2003-2007), marido da chefe de Estado.

Chávez presidirá amanhã um encontro com cerca de 200 empresários argentinos na sede da Chancelaria e, posteriormente, com Cristina, viajará para Bolívia para se reunir com o presidente boliviano, Evo Morales, na cidade de Tarija. EFE cw/bm/rr

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