TÓQUIO - O Brasil e as outras nações latino-americanas convidadas para a reunião de ministros de Meio Ambiente do G8 (grupos dos sete países mais desenvolvidos e a Rússia) em Kobe, no sudoeste do Japão, se mostraram hoje dispostos a participar ativamente da luta contra a mudança climática. http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/05/25/g8_poderia_reduzir_pela_metade_emissoes_de_gases_poluentes_ate_2050_1325346.htmlG8 poderia reduzir pela metade emissões de gases poluentes até 2050

Representado por Ana Maria Sampaio, embaixadora em Nairóbi (Quênia) perante o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o Brasil garantiu que serão dados passos mensuráveis, verificáveis e reais contra o efeito estufa, disseram à Agência Efe fontes diplomáticas.

Em sua participação no encontro, Ana Maria também destacou a experiência do Brasil no campo dos biocombustíveis e disse que, por meio do uso generalizado desse insumo energético, o país reduz suas emissões de gás carbônico em 675 milhões de toneladas.

Além disso, a diplomata brasileira pediu aos membros do G8 que cumpram as metas estabelecidas em 1997 pelo Protocolo de Kioto e definam níveis de redução nas emissões a médio prazo.

Por sua vez, o México propôs a instituição do chamado Fundo Verde, que agruparia todas as nações do mundo, disse à Efe o secretário de Meio Ambiente e Recursos Naturais do país, Juan Rafael Elvira.

Segundo o mexicano, já está provado que o Protocolo de Kioto foi insuficiente e que é necessário chegar a uma solução que inclua os países desenvolvidos, responsáveis por 52% das emissões, e os em desenvolvimento, causadores de 48% da poluição.

Elvira também disse que a quantia as contribuições ao fundo deveriam ser determinadas pelo percentual total das emissões de cada país, pelo percentual das emissões per capita e por seu PIB (Produto Interno Bruto).

"As nações desenvolvidas contribuiriam com mais e poderiam recuperar parte (dos recursos) para desenvolver projetos sustentáveis, enquanto os países em desenvolvimento, que pagariam sua parte correspondente, teriam direito a receber mais", explicou.

Por sua vez, as nações mais pobres, como os da América Central, contribuiriam com um valor mínimo e teriam direito a todos os benefícios do fundo.

Ainda segundo o secretário mexicano, em julho, o presidente do seu país, Felipe Calderón, participará da cúpula do G8 na ilha de Hokkaido, no norte do Japão, onde apresentará melhor a proposta.

A Indonésia, outra das economias emergentes convidadas para a reunião ministerial, pediu aos países industrializados que estabeleçam metas para a redução das emissões de gases poluentes a médio e longo prazo.

Apesar de terem tido espaço para apresentar suas propostas, a maioria dos países convidados para as reuniões do G8 reclamou da maneira como são organizados os encontros, informaram à Efe várias fontes ligadas às negociações.

Durante a presidência japonesa do G8, os países convidados tiveram acesso restrito a algumas reuniões, e alguns países, como a China, protestaram por se sentirem tratados como participantes de segunda categoria em um processo no qual é cobrada a participação de todos.

Um dia antes do fim da reunião, da qual não se espera que saiam acordos significativos, os ministros de Meio Ambiente do G8 se mostraram determinados a chegar a um acordo para reduzir, pelo menos à metade, as emissões de gás carbônico até 2050.

Espera-se que os países do G8 cheguem a um compromisso a esse respeito durante a cúpula de Hokkaido, que acontecerá de 7 a 9 de julho.

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