Brasil anuncia ajuda a refugiados bolivianos

BRASÍLIA - O governo brasileiro e as autoridades do Acre ajudarão entre 100 e 200 bolivianos que cruzaram a fronteira fugindo dos protestos contra o presidente Evo Morales, informaram hoje fontes oficiais.

Redação com agências internacionais |

O porta-voz do governo do Acre, Carlos Alberto Bernardo, explicou que a situação é delicada nos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia, nos quais se concentraram os cidadãos bolivianos, em sua maioria procedentes do departamento (estado) de Pando, onde rege um estado de sítio.

Bernardo disse que, de Rio Branco, capital do Acre, foram enviados médicos, alimentos e roupa para essas cidades limítrofes com a Bolívia.

Além disso, foram habilitados alguns prédios públicos para oferecer abrigo aos refugiados.

O porta-voz ressaltou que algumas das pessoas que chegaram ao Brasil apresentavam ferimentos, mas nenhuma delas estava em estado grave.

Em Rio Branco, se reuniram hoje representantes do Parlamento, do Ministério das Relações Exteriores e autoridades locais com um grupo de parentes de brasileiros que vivem no conflituoso departamento de Pando e em outras regiões bolivianas.

O diplomata José Luiz Pereira declarou que, "embora a situação hoje seja menos preocupante, é necessário saber quantos são e onde estão os brasileiros para poder atuar em caso de emergência".

Por essa razão, ele reiterou que é necessário que os brasileiros que ainda estão na Bolívia se dirijam aos consulados de seu país para atualizar os registros, a fim de poder localizá-los caso precisem ser evacuados do país andino.

Confrontos em Pando

Cobija foi cenário na semana passada de saques a prédios públicos e assaltos à propriedade privada, depois que setores civis de direita massacraram, segundo o governo, camponeses leais ao presidente Evo Morales.

Os confrontos deixaram 30 mortos, a maioria indígenas. O prefeito (governador) de Pando, Leopoldo Fernández, responsabilizado pela violência por La Paz, foi preso na terça-feira.

Crise na Bolívia

Os departamentos bolivianos de Tarija, Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca (que juntos foram a região conhecida como "Meia Lua") pleiteiam maior autonomia e têm sido palco há meses de protestos contra Morales.

Eles ficam no leste da Bolívia e são os departamentos mais ricos do país, graças principalmente à produção de gás e soja.

O departamento de Tarija, por exemplo, possui mais de 80% das reservas de gás bolivianas.

O oeste da Bolívia, onde vive a maior parte da população indígena, é a região em que o presidente conta com mais apoio.


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* Com EFE e AFP

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