Brasil ajudará México a identificar vítimas de massacre

Polícia Federal auxiliará na identificação de 31 dos 72 imigrantes mortos em chacina; das vítimas, ao menos dois são brasileiros

iG São Paulo |

O governo do México aceitou a oferta do Brasil para que peritos da Polícia Federal ajudem na identificação de 31 corpos dos 72 imigrantes vítimas do massacre ocorrido há cerca de duas semanas em San Fernando, na fronteira do país com os Estados Unidos.

AP
Os corpos de 72 homens e mulheres supostamente mortos pelo grupo Los Zetas são vistos em rancho em cidade de San Fernando (26/08/2010)
Nas próximas horas, devem ser definidos o número de policiais federais que serão colocados à disposição e os detalhes sobre as atividades que eles vão desenvolver em parceria com os mexicanos. As informações são de diplomatas que acompanham o caso.

Segundo a Ansa, o Serviço Médico Forense do Distrito Federal mexicano (Semefo) advertiu nesta sexta-feira que alguns corpos podem ser enterrados em valas comuns se não foram identificados em em até um ano. Há dificuldade de identificar as vítimas porque muitos imigrantes não levavam documentos.

Na noite de quinta-feira, as autoridades mexicanas confirmaram que foram identificados 46 corpos, incluindo o do brasileiro Juliard Aires Fernandes , de 20 anos. Foram encontrados documentos de outro brasileiro, Hermínio Cardoso dos Santos , de 24 anos, mas seu corpo ainda não foi identificado.

O consulado do Brasil no México ainda aguarda a liberação do corpo de Fernandes, de 20 anos, para tramitar sua repatriação. Além dele, foram identificados 21 hondurenhos, 13 salvadorenhos, cinco guatemaltecos e seis equatorianos.

O massacre ocorreu há quase duas semanas em uma fazenda na região de Reynosa, no Estado de Tamaulipas, na fronteira do México com os Estados Unidos. O crime é atribuído a cartéis de tráfico de pessoas e drogas. A principal suspeita, segundo as autoridades mexicanas, recai sobre o grupo Los Zetas .

Sobreviventes

O equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla , que sobreviveu ao ataque, afirmou nesta sexta-feira que outras três pessoas também conseguiram escapar da chacina, incluindo uma mulher grávida e sua filha. O outro sobrevivente é um imigrante hondurenho , que fugiu com Pomavilla da fazenda logo depois do crime.

O sobrevivente equatoriano contou ainda como o grupo de 76 pessoas foi sequestrado no sábado, 21 de agosto, à noite. "Nos levaram a uma casa, nos amarraram de quatro em quatro com as mãos para trás, nos prenderam por uma noite. Depois, (...) ali ao lado, dispararam contra meus amigos", afirmou. "Depois chegaram disparando contra mim e mataram todos os outros. Acabaram de atirar e se foram, mataram todos", completou. Segundo Pomavilla, os imigrantes foram mortos após não aceitar trabalhar para o grupo criminoso.

Depois que os sequestradores deixaram o local da chacina, o jovem equatoriano, de 18 anos, esperou alguns minutos e começou a correr, ferido, em busca de ajuda. "Saí com um amigo (o sobrevivente hondurenho). O amigo se separou de mim pensando que eu ia morrer e foi me deixando para trás", afirmou. "Corri uns 10 quilômetros, caminhei com dor, pedindo auxílio e ninguém quis me ajudar."

Lala seguiu até um ponto de controle da Marinha de Imigração, onde denunciou o massacre às autoridades e foi levado ao hospital. Chorando, o imigrante conta que tentou atravessar a fronteira pois pretendia encontrar com seus pais , que vivem nos Estados Unidos há quatro anos. Agora, Lala está protegido pelo Ministério Público em um programa de proteção à testemunhas e seus familiares.

*Com Agência Brasil, EFE e BBC

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