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Brasil adverte que América do Sul não tolerará golpe na Bolívia

Brasília, 11 set (EFE).- Brasil e outros países da América do Sul não tolerarão uma ruptura da ordem democrática na Bolívia, afirmou hoje o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

EFE |

Segundo o colaborador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje houve consultas entre vários governos da região e existe consenso no sentido de que serão aplicadas "medidas diplomáticas" caso se tente um golpe de Estado, como denunciou o Governo boliviano.

Garcia explicou em coletiva de imprensa que Lula conversou hoje por telefone com os presidentes da Bolívia, Evo Morales, da Venezuela, Hugo Chávez, da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e do Chile, Michelle Bachelet, e que todos concordaram em expressar sua preocupação com a situação.

Em relação às declarações de Chávez, que hoje em Caracas disse que está disposto a dar apoio "armado" a Morales, Garcia assinalou que "o tema militar não está sendo analisado" nem foi tratado em nenhuma das conversas com Lula.

No entanto, esclareceu que foi acordado que "não será reconhecido nenhum Governo ou tentativa de Governo que tente substituir aquele que recebeu o voto dos bolivianos e foi ratificado por eles em referendo" há pouco mais de um mês.

Garcia apontou que o chamado Grupo de Amigos criado para mediar a crise boliviana, formado por Brasil, Argentina e Colômbia, mantém consultas permanentes e está disposto a enviar emissários assim que o Governo boliviano solicitar.

Os preparativos para a viagem já estão prontos "para o momento que o Governo boliviano decidir", explicou.

Ele também ressaltou que a Embaixada do Brasil em La Paz tentou "nos últimos dias" um contato com líderes da oposição boliviana, mas "não teve sucesso" até agora.

Segundo ele, o Brasil "quer contribuir para uma solução negociada", a fim de que "seja rapidamente restabelecida a ordem" e seja retomado o diálogo.

Garcia lembrou que, nos últimos anos, a Bolívia passou por "situações gravíssimas" e que "se falou muitas vezes que o país estaria à beira de uma guerra civil", mas manifestou sua confiança de que "outra vez imperará a sabedoria do povo boliviano".

No entanto, reconheceu que alguns setores políticos podem ter neste momento a "tentação de levar o enfrentamento até às últimas conseqüências", o que considerou que "seria o pior" para a Bolívia e para toda América do Sul.

"A outra via é a negociação, que é a que tentará o Grupo de Amigos", declarou.

Na opinião de Garcia, um agravamento da situação na Bolívia "traria prejuízos enormes para a integração sul-americana".

No caso particular do Brasil, o assessor admitiu que também pesam os "interesses nacionais", pois a Bolívia fornece quase 70% do gás natural consumido no país. EFE ed/bm/rr

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