Brasil admite ser possível uma queda grande no número de homicídios

Madri, 26 jun (EFE).- O ministro da Justiça, Tarso Genro, admitiu hoje ser possível reduzir em um prazo de quatro a seis anos os altos índices de criminalidade no Brasil até igualar as taxas do Chile, o país menos violento da região ibero-americana.

EFE |

Em entrevista à Agência Efe, o ministro brasileiro considerou que o "rompimento do pacto perverso que existe na sociedade brasileira", na qual crianças e jovens mais pobres são recrutadas para distribuir as drogas para as classes ricas consumidoras, é necessário para alcançar esse objetivo.

Tarso Genro, que conclui hoje uma visita de trabalho à Espanha, disse que os índices de homicídios no Brasil variam significativamente de uma região para outra.

Calculou entre 60 e 70, por cada 100 mil habitantes, os homicídios cometidos por ano, em algumas regiões do país, enquanto em outras o número fica entre 15 e 20.

Estas informações contrastam com oa registrados no Chile, onde os homicídios alcançam a média de sete por cada cem mil habitantes ao ano.

O ministro da Justiça lembrou que desde 2004 há uma queda da violência, em uma média de 15%, e que em um prazo de quatro a seis anos é possível alcançar os níveis do Chile, mas admitiu se tratar de um "trabalho muito árduo".

A pobreza e o grau de inserção do crime organizado entre as classes mais baixas são fatores determinantes, declarou o ministro, que se mostrou, no entanto, esperançoso com os resultados das iniciativas que são realizadas no Brasil.

O país desenvolve o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), que luta para melhorar as condições de vida nos bairros populares e também para humanizar o sistema penitenciário, com prevalência das iniciativas educativas.

Este é um programa de "caráter preventivo" com resultados a "médio e longo prazo" que deve aprofundar a estrutura social, disse.

Por isto, as iniciativas, além de um enfoque social, têm seu ponto de mira na população de entre 15 a 28 anos - justamente quando os jovens são recrutados para o tráfico de drogas - e nas áreas metropolitanas.

Estas medidas foram expostas por Tarso Genro no seminário "Educação, Cooperação e Segurança Cidadã" na região ibero-americana, que foi encerrada ontem em Madri com a presença de autoridades de ambas as margens do Atlântico.

Durante sua estadia na capital espanhola, o ministro da Justiça teve um encontro com o ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba.

Ambos os ministros se comprometeram a prosseguir com a cooperação policial em questões migratórias com as máximas garantias para os turistas dos dois países e para melhorar a situação daqueles que não são admitidos nos aeroportos.

O Brasil endureceu no começo do ano seus controles nos aeroportos como "medida de reciprocidade" com a Espanha por causa do aumento das devoluções de brasileiros no aeroporto de Barajas, em Madri.

Para Tarso Genro, "o problema foi resolvido muito bem", após reconhecer que "houve uma tensão", mas também um diálogo, e hoje a situação está muito boa e não há problemas nos aeroportos.

Depois de se reunir hoje com o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, a quem exporá as iniciativas do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva em matéria de segurança cidadã, o ministro retornará esta noite ao Brasil. EFE me/fh

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