BP fracassa em 1ª tentativa de tapar vazamento de óleo com caixa de cimento

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 8 mai (EFE).- A primeira tentativa de tapar com uma caixa de aço e cimento o poço de petróleo que está vazando óleo no Golfo do México não funcionou, por causa da formação de cristais de gelo que bloquearam a cúpula da estrutura. "Não podemos dizer que fracassamos ainda (com a caixa), mas posso dizer que as tentativas que desenvolvemos até agora não funcionaram", disse hoje, em entrevista coletiva, o diretor de operações da British Petroleum (BP), Doug Suttles. A instalação da caixa, de 100 toneladas e altura de um prédio de três andares, é uma das grandes esperanças para canalizar o vazamento de óleo do poço, que derrama a cada dia no mar cerca de 800 mil litros de petróleo. A caixa conta com uma cúpula na parte superior, de onde sai um encanamento através do qual o petróleo seria bombeado para um navio na superfície, com capacidade de armazenar até 128 mil barris (20,4 milhões de litros). Ontem à noite, após uma longa operação, foi possível posicionar a caixa sobre o poço de petróleo, a 1.500 metros de profundidade, mas foi preciso retirá-la da posição depois que foi detectado que, devido às baixas temperaturas, estavam se formando cristais de gelo que tapavam a cúpula. A formação de gelo, explicou o diretor, foi causada pelas baixas temperaturas e a pressão a essa profundidade, assim como a presença de gás natural na saída do poço. "Movemos (a caixa) para o lado enquanto decidimos como solucionar este inconveniente que surgiu", disse o diretor da BP, que lembrou que a instalação da estrutura era uma iniciativa que nunca tinha sido realizada em tamanha profundidade. Em paralelo, a BP está avançando na perfuração de um poço alternativo, perto do que está vazando, que serviria para injetar um líquido mais pesado que o petróleo que atuaria como uma espécie de tampão e impediria que o óleo continuasse saindo. Calcula-se que já tenham vazado do poço 31 milhões de litros de petróleo no mar, desde o afundamento da plataforma da BP, no dia 22 de abril, dois dias depois de explodir. O diretor da BP não quis confirmar hoje se a explosão se deveu à saída do poço de uma grande bolha de gás metano que se incendiou, como informou neste sábado a imprensa americana, citando um relatório da companhia. "Meu papel é coordenar a resposta ao desastre, não estou ciente da investigação interna desenvolvida pela companhia", disse. Enquanto isso, na superfície do mar, prosseguem as tarefas para tentar conter a expansão da mancha de óleo, que ainda ameaça a costa de vários estados do sul dos Estados Unidos. As equipes que atuam no Golfo do México utilizaram até o momento um milhão de litros de "dispersantes" - produtos químicos que têm a capacidade de quebrar a estrutura do petróleo, o que faz com que ele afunde. Desta maneira, a mancha de petróleo desapareceria da superfície, o que evitaria que a costa americana fosse poluída e que aves e mamíferos marinhos fossem afetados. No entanto, o uso de dispersantes não reduz a quantidade de petróleo no mar, segundo ecologistas e especialistas, que advertiram sobre consequências desconhecidas que estes produtos podem ter na vida marinha. A Aliança do Sul para a Energia Limpa (SACE, na sigla em inglês) denunciou que a aplicação de dispersantes, apesar de evitar o dano em aves e mamíferos, "tem um potencial devastador para os animais que não têm que sair à superfície para pegar ar, assim como para todos os ecossistemas submarinos, como os corais". "Dispersar o petróleo torna mais difícil recolhê-lo. Além disso, a poluição permanecerá no meio ambiente e os organismos marítimos estarão expostos a ela durante décadas". A organização é contra, especialmente, o uso de Corexit 9500, um composto que considera ser mais tóxico que o petróleo e que pode causar, em altas doses, segundo pesquisas, "dores de cabeça, vômitos e problemas reprodutivos". Em declarações ao jornal "Times Picayune", de Nova Orleans, o professor da Universidade da Louisiana Ed Overton defende a decisão de utilizar os dispersantes, por ser "a menos má". No entanto, adverte que "é impossível saber com certeza seu efeito na vida marinha". EFE pgp/pd

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