BP fecha acordo para explorar petróleo do pré-sal no Brasil

A companhia petrolífera britânica BP anunciou nesta quinta-feira a aquisição de ativos da Devon Energy que a permitirão explorar petróleo em águas profundas da Bacia de Campos. Além da Devon, a Petrobras já fechou parcerias para exploração da costa brasileira, que segundo as estimativas podem conter 80 bilhões de barris de petróleo, com diversas outras companhias, tais como a americana ExxonMobil, a espanhola Repsol e a portuguesa Galp.

BBC Brasil |

Pelo novo acordo, a BP pagará US$ 7 bilhões (R$ 12,4 bilhões) ao grupo americano para poder participar da exploração petrolífera de dez blocos no Brasil, sendo sete deles na Bacia de Campos.

Além disso, a empresa da Grã-Bretanha poderá ampliar sua prospecção de petróleo no Golfo do México, onde já é a maior produtora do mundo, e no complexo Azeri-Chirag-Gunashli, que fica no Mar Cáspio, Azerbaijão.

O contrato prevê ainda que a BP venderá por US$ 500 milhões (R$ 885 milhões) metade de seus direitos de extração de óleo pesado dos arenitos de Kirby, no Canadá, ainda em fase inicial de exploração.

"Essa oportunidade estratégica enquadra-se perfeitamente na capacidade operacional e nos interesses-chave da BP no mundo, oferecendo-nos um significativo potencial adicional de crescimento de longo prazo, com ênfase na produção petrolífera", disse Tony Hayward, presidente mundial do grupo britânico.

Andy Inglis, diretor de exploração e produção da BP, afirmou que com a "entrada no Brasil, a BP irá acrescentar uma importante posição em mais uma bacia atrativa de águas profundas".

Obstáculos

Ao mesmo tempo em que o acordo proporciona à BP um importante acesso direto à exploração na costa brasileira, ele inclui a empresa no enorme desafio que será a extração de petróleo da camada do pré-sal.

"As reservas de petróleo em águas profundas, que estão a 7 mil metros abaixo do nível do mar e sob uma grossa camada de sal, são tecnicamente difíceis de serem desenvolvidas", lembra o diário econômico britânico Financial Times em reportagem desta quinta-feira.

O jornal americano Wall Street Journal descreveu em 2008 as dificuldades de se extrair petróleo da camada do pré-sal.

"A exploração e a extração de petróleo em águas super-profundas são uma empreitada cara e arriscada. O sal que fica sobre os potenciais campos adiciona desafios técnicos porque muda de lugar e é propenso a mudanças bruscas de pressão. E apesar dos avanços na tecnologia de imagens geológicas, é impossível saber a quantidade e a qualidade do petróleo escondido em um depósito até que ele comece a jorrar - um processo que leva anos".

Segundo o texto desta quinta-feira do FT, "há também uma preocupação generalizada com a ambição do governo brasileiro de maximizar os lucros do Brasil com sua riqueza petrolífera, o que pode criar problemas para os investidores estrangeiros", analisou o FT.

O jornal americano The New York Times já havia descrito o novo marco regulatório para a exploração do petróleo no Brasil, anunciado em setembro do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como "uma virada nacionalista" para o país.

"O governo brasileiro propôs mudanças às leis existentes para dar o papel principal no desenvolvimento das reservas-chave de petróleo em águas profundas para a gigante estatal da energia, a Petrobras, em detrimento das rivais estrangeiras", observou o diário na ocasião.

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