Botsuana pode dar asilo a líder da oposição do Zimbábue

Londres, 26 nov (EFE).- O ministro de Relações Exteriores de Botsuana, Phandu Skelemani, não descarta conceder asilo ao líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, se não prosperar o diálogo com o presidente zimbabuano, Robert Mugabe.

EFE |

"Ninguém que vier a Botsuana dizendo que teme por sua vida em seu país será rejeitado", disse Skelemani em entrevista hoje no programa "Hard Talk" da "BBC", referindo-se à complicada situação política no Zimbábue.

Ele deixou claro, porém, que não permitiria a Tsvangirai "nem a ninguém" lançar uma operação militar contra o Zimbábue de seu território.

O presidente de Botsuana, Ian Khama, é um dos poucos chefes de Estado africanos que criticou abertamente Mugabe e assinalou que sua reeleição de junho não foi legítima.

Skelemani considerou que a Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC) deveria admitir que os esforços deste bloco regional fracassaram no Zimbábue.

Este bloco deveria "apelar à comunidade internacional e dizer a Mugabe, na cara, 'olhe, o senhor está só, nós cortamos, fechamos nossas fronteiras', e acho que ele não duraria", acrescentou.

"Se o combustível não chegar em uma semana, ele não pode durar", ressaltou o ministro.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, expressou sua preocupação pela situação humanitária no Zimbábue, que classificou de "desesperadora" e previu que "piorará nos próximos meses".

A União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) e o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC, de Tsvangirai) retomaram ontem na África do Sul o diálogo para formar um Governo de união nacional.

No primeiro turno das eleições presidenciais de 29 de março, o líder do MDC, Morgan Tsvangirai, teve mais votos do que Mugabe, mas não obteve mais de 50% dos votos, o que obrigou a realização de um segundo turno do pleito.

O segundo turno aconteceu em 27 de junho, mas Mugabe concorreu sozinho, pois Tsvangirai retirou sua candidatura uma semana antes, em protesto pelos ataques da Zanu-PF que mataram 100 de seus correligionários.

Em 15 de setembro, a Zanu-PF e as duas facções do MDC aceitaram formar um Governo conjunto que manteria Mugabe como presidente e transformaria Tsvangirai em primeiro-ministro do Zimbábue.

O MDC, porém, interrompeu o processo posteriormente por considerar que a composição dos ministérios favoreceria a Zanu-PF.

A reunião da África do Sul é para discutir uma emenda constitucional que estabelecerá os poderes de Tsvangirai como primeiro-ministro, cargo que foi abolido em 1987, quando Mugabe, que o ocupava, tornou-se Presidente do Zimbábue.

Ele mantém o poder no país desde sua independência, em 1980.

A restauração do cargo de primeiro-ministro é o único obstáculo que impede a formação do Governo de unidade, segundo a Zanu-PF e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC), bloco regional responsável pela a mediação. EFE vg/jp

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